Há 5,5 mil anos, a roda mudou para sempre a forma como o ser humano se deslocava. Em 2025, um conceito ousado tenta repetir esse marco ao questionar os limites da engenharia automotiva. A SurfacePlan, apresentada pelo cientista David Henson, surge como uma proposta radical que elimina todo o sistema de transmissão, aplicando a força diretamente no solo.
A ideia confronta a tradição mecânica que sustenta os veículos desde a Revolução Industrial. Pistões, eixos, engrenagens e caixas de câmbio compõem um conjunto complexo que, apesar de eficiente, também representa peso, custo e desgaste. A SurfacePlan sugere que essa engrenagem histórica pode ser dispensada, substituída por um mecanismo capaz de simplificar tudo: uma roda que concentra a tração em si mesma.
Seu design futurista impressiona. No lugar de raios convencionais, a roda conta com atuadores lineares semelhantes a pistões que se projetam para fora da superfície. Cada atuador possui ponta de borracha, acionada eletricamente, hidraulicamente ou pneumaticamente, e entra em contato direto com o solo para impulsionar o veículo. Essa solução promete oferecer padrões de tração programáveis e até mesmo adaptar-se a diferentes pisos de forma dinâmica.
Mais do que um exercício de imaginação, o projeto propõe ganhos tangíveis. A redução de peças móveis pode significar menos manutenção e veículos até 75% mais leves, segundo estimativas do inventor. A inteligência artificial, integrada ao sistema, permitiria configurar a resposta de cada atuador, criando rodas personalizáveis e abrindo espaço para novas experiências de direção.
Mas nem tudo são avanços. Engenheiros questionam a durabilidade do sistema diante das condições reais de uso. A vedação dos atuadores, o risco de falhas mecânicas, a exigência energética para movimentar dezenas de pistões em sincronia e a manutenção complexa são pontos críticos. Além disso, a SurfacePlan terá de competir com tecnologias consolidadas, como os motores elétricos integrados ao cubo da roda, já aplicados em protótipos e até em veículos comerciais.
O inventor admite que ainda há um longo caminho até que a ideia alcance produção em escala. A iniciativa busca financiamento via Wefunder e pretende, num primeiro momento, explorar nichos específicos como veículos leves, robótica ou ambientes controlados. Nessas áreas, a reinvenção da roda pode encontrar espaço para se provar viável antes de enfrentar o rigor das ruas.
Apesar dos desafios, a SurfacePlan evidencia como mesmo invenções milenares ainda podem ser revisitadas. O projeto resgata a essência da inovação: questionar o óbvio e propor alternativas para além do já estabelecido. Ao olhar para a roda, um dos símbolos da civilização, David Henson lembra que ainda é possível reinventar aquilo que parecia definitivo.
Fonte: Olhardigital e Surfaceplan.