A segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) será realizada ainda em 2025, com a oferta de 3.652 vagas distribuídas em nove blocos temáticos que reorganizam a estrutura das provas e agrupam os cargos por áreas de atuação. Com o edital previsto para julho, o certame será aplicado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e promete representar uma das maiores seleções já realizadas no serviço público federal.
Pontos Principais:
A iniciativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) pretende substituir concursos isolados por uma seleção centralizada, seguindo um modelo semelhante ao do Enem. O objetivo é ampliar o acesso, uniformizar critérios de avaliação e permitir que candidatos escolham trilhas de carreira conforme seus perfis técnicos e acadêmicos. As provas objetivas ocorrerão em 5 de outubro, e as discursivas em 7 de dezembro.
A divisão por blocos temáticos é a principal novidade, com categorias voltadas a áreas como saúde, engenharia, administração, justiça, tecnologia e cultura. Além disso, pela primeira vez, o modelo incluirá dois blocos específicos para cargos de nível médio técnico. A expectativa é que as nomeações ocorram logo após o resultado final, previsto para fevereiro de 2026.
A edição 2025 do CNU terá vagas em 36 órgãos e autarquias da administração pública federal, com 3.144 oportunidades para nível superior e 508 para nível médio técnico. Destas, 82% das vagas estarão concentradas em órgãos sediados em Brasília, mas também haverá oportunidades em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Pará.
Os blocos temáticos foram definidos de forma a reunir cargos com afinidade funcional e técnica. O candidato deverá escolher apenas um bloco temático no momento da inscrição, o que definirá a trilha de prova e o conjunto de cargos disponíveis. Cada bloco terá um anexo específico no edital e provas próprias.
Entre os cargos já confirmados, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terá especialidades como serviço social, fisioterapia, psicologia, tecnologia da informação, direito, contabilidade, administração e engenharia. Nas agências reguladoras, o destaque é para o cargo de especialista em regulação, cuja remuneração inicial ultrapassa os R$ 17 mil.
A reorganização da prova objetiva permitirá aprofundamento dos conteúdos, evitando avaliações genéricas. A etapa discursiva, por sua vez, será restrita aos candidatos habilitados na primeira fase, permitindo análise mais criteriosa dos perfis técnicos.
A definição dos blocos temáticos foi feita com base nas áreas prioritárias do governo federal. Cada bloco contará com um conjunto de instituições vinculadas, com destaque para ministérios, agências, institutos e fundações públicas. Confira a estrutura geral:
O Bloco 1 reunirá órgãos como o INSS, Ministério da Saúde e Hospital das Forças Armadas. O Bloco 2 contará com o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e Fundação Nacional de Artes (FUNARTE). Já o Bloco 3 incluirá instituições como a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).
O Bloco 4 será um dos mais amplos, com 18 órgãos, incluindo o Ministério do Turismo e a Fundacentro. No Bloco 5, destacam-se o Ministério da Fazenda, das Cidades e novamente o INSS. Os demais blocos incluem órgãos especializados como ANVISA, ANAC, ANATEL, ANCINE e o Ministério da Gestão.
O cronograma oficial do CNU 2025 já foi definido pelo MGI. A publicação do edital e a abertura das inscrições estão previstas para julho. A prova objetiva, obrigatória para todos os candidatos, será aplicada em 5 de outubro, no turno da tarde. Apenas os aprovados nesta fase avançam para a etapa discursiva, marcada para 7 de dezembro.
Todas as etapas serão coordenadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que também ficará responsável pela elaboração e aplicação das provas. Essa é uma mudança importante em relação à primeira edição, que foi organizada pela Fundação Cesgranrio.
Com esse novo modelo, o governo pretende aumentar a eficiência do processo, reduzir os custos com concursos individuais e garantir maior equidade no acesso às vagas públicas. A inclusão da etapa discursiva apenas para os habilitados na objetiva permitirá uma avaliação mais precisa, sem comprometer a logística da seleção.
As remunerações previstas no CNU 2025 variam conforme o cargo e o nível de escolaridade exigido. Os salários iniciais dos cargos de nível médio técnico ficam entre R$ 4.787,59 e R$ 8.697,59. Já os cargos de nível superior podem chegar a R$ 17.726,42, como no caso de especialista em regulação em agências reguladoras.
Além do salário base, os servidores aprovados terão direito a auxílio-alimentação de R$ 1.000 e, conforme o cargo, adicionais de qualificação, gratificações por desempenho e progressões funcionais previstas na carreira. O concurso também prevê vagas para cadastro de reserva, com expectativa de convocação em curto prazo após a homologação dos resultados.
As áreas técnicas e regulatórias devem continuar sendo prioritárias nos próximos concursos, especialmente diante do envelhecimento do quadro funcional em diversos órgãos federais. A segmentação dos blocos temáticos tende a se consolidar como modelo padrão para concursos públicos de grande porte, permitindo mais assertividade nas nomeações.
Com a previsão de convocação ainda em 2026, o CNU deve abrir caminho para um ciclo mais contínuo de seleções centralizadas. O governo já considera a possibilidade de realizar edições regulares do concurso, com ajustes por área conforme a demanda dos órgãos.
Fonte: Gov.