O cheiro de tinta nova se mistura à lembrança de pelo molhado. No pátio da Chevrolet, um Tracker em tom caramelo reflete o sol como se respirasse. Não é apenas um carro — é um gesto. Um símbolo de empatia moldado em aço e verniz, inspirado em milhares de cães que caminham anônimos pelas ruas do Brasil.
O nome, simples e afetivo, nasceu de 22.918 fotos enviadas por tutores de todo o país. Cada imagem trazia um olhar, um focinho, uma história. A GM reuniu essas cores, misturou memórias e chegou ao “tom mais caramelo do Brasil”. Um marrom quente, quase dourado, que parece carregar um pouco da alma coletiva de quem acredita que carinho também pode pintar uma lataria.
Mas o Tracker Caramelo é mais que uma cor bonita. Ele é um manifesto. Um SUV feito para ser leiloado, com cada centavo revertido a campanhas de adoção e abrigos de animais. Em um tempo em que o luxo costuma falar mais alto, a Chevrolet escolheu falar de amor.
A ideia nasceu junto com o filme “Caramelo”, da Netflix, estrelado por Rafael Vitti. Na tela, um chef de cozinha ambicioso tem a vida virada do avesso quando um cachorro vira-lata invade sua casa — e seu destino. Entre o diagnóstico de uma doença e a solidão da rotina, Pedro encontra em seu novo companheiro um motivo para continuar. A trama emociona, mas sem a crueldade do clichê: o cão não morre. Ele fica. Ele salva.
A GM percebeu ali uma conexão rara. O filme tratava de um afeto silencioso, o mesmo que move quem adota um animal. Assim, o Tracker virou extensão dessa narrativa: o carro como abrigo, o volante como gesto, o motor como batimento. O SUV, nascido de uma ação publicitária, acabou encontrando um significado mais profundo — o de lembrar que dirigir também pode ser um ato de cuidar.
Além da simbologia, o modelo marca o início da linha 2026. Faróis divididos em quatro blocos, grade redesenhada, lanternas escurecidas e um interior digital inspirado na nova S10. Sob o capô, os motores turbo 1.0 e 1.2 continuam garantindo equilíbrio entre desempenho e economia. Mas, nesta edição, o que move o carro não é o torque — é o propósito.
O Tracker Caramelo não será vendido. Ele não pertence a ninguém, porque pertence a todos. Seu destino é o leilão, e seu valor será o que cada um quiser enxergar nele: uma obra, uma lembrança, uma chance de fazer o bem. É raro quando a indústria e a arte se encontram. Desta vez, elas se abraçaram — e o resultado tem alma de cachorro.
O filme Caramelo, lançado na Netflix em 8 de outubro de 2025, tem emocionado o público ao narrar a amizade entre Pedro, um chef de cozinha interpretado por Rafael Vitti, e um cachorro vira-lata chamado Amendoim. A trama acompanha o encontro improvável entre os dois e como o animal transforma a vida do protagonista, oferecendo leveza e afeto em meio às dificuldades.
Dirigido por Diego Freitas, o longa é inspirado em uma história real: a relação do próprio diretor com sua cadela Paçoca. No enredo, Pedro vive o auge da carreira profissional quando é surpreendido pelo diagnóstico de câncer, o que o leva a repensar suas prioridades e encontrar no cachorro um companheiro fiel para enfrentar os momentos mais delicados da vida.
A atuação de Rafael Vitti foi um dos principais desafios do filme, já que o ator contracena com um cão durante quase toda a produção. Em entrevistas, ele destacou que trabalhar com um animal exige improviso e espontaneidade, o que acabou trazendo uma autenticidade rara às cenas e fortalecendo o vínculo emocional entre os personagens.
Um dos maiores temores do público era saber se o cachorro morria no final — algo comum em filmes com animais. No entanto, Caramelo evita o drama extremo: o cão não morre. A história prioriza a mensagem de companheirismo e de como a presença de um animal pode mudar a forma como uma pessoa encara a vida, reforçando a importância da adoção responsável.
Ao final, o longa se consolida como uma produção brasileira sensível e envolvente, que fala sobre amor, superação e lealdade. Além de emocionar, Caramelo também estimula a reflexão sobre o papel transformador dos animais na vida humana e sobre o valor das pequenas alegrias que surgem nas conexões mais simples.