Nova técnica de irrigação alternada avança no campo e reduz consumo hídrico em até 50%
Produtores rurais passaram a irrigar apenas metade das raízes das plantas em áreas onde a água se tornou o principal fator de risco da lavoura, reduzindo o volume aplicado sem interromper a produção. A técnica, chamada de secagem parcial da zona radicular, conhecida pela sigla PRD, começou a ganhar escala em 2025 e segue em expansão em 2026, impulsionada por restrições de captação, aumento do custo de energia e pressão crescente sobre reservatórios e aquíferos.
A mudança não envolve cortar a irrigação de forma generalizada, mas reorganizar onde a água chega. Em vez de molhar toda a zona de raízes ao mesmo tempo, o produtor irriga apenas um lado do sistema radicular enquanto o outro permanece em solo mais seco. Após um período definido conforme cultura e solo, o lado irrigado passa a secar e a água é direcionada para o setor oposto, mantendo a alternância ao longo do ciclo.
Relatórios técnicos e estudos de campo citam reduções expressivas no volume de água aplicado com esse manejo. Em condições específicas, a economia pode chegar a cerca de 50% quando comparada à irrigação plena, sem queda relevante de produtividade. Os resultados, porém, variam conforme espécie, clima, fase de desenvolvimento e disciplina operacional, o que afasta a técnica de qualquer promessa automática.
A resposta das plantas aparece no funcionamento cotidiano da lavoura. Parte das raízes, ao encontrar solo mais seco, passa a emitir sinais associados à restrição hídrica. Esses sinais alcançam as folhas e reduzem a abertura dos estômatos, por onde ocorre a maior parte da perda de água em forma de vapor. Com menos transpiração, o consumo diário diminui. Ao mesmo tempo, a outra metade do sistema radicular segue em solo úmido, sustentando o abastecimento necessário para manter fotossíntese e crescimento.
O efeito prático é uma cultura que passa a usar água como se estivesse em ambiente mais restritivo, sem entrar em estresse total. O manejo exige precisão. Alternâncias muito rápidas não geram resposta fisiológica suficiente. Trocas tardias aprofundam o déficit além do planejado e comprometem raízes ativas, reduzindo a capacidade de absorção.
O tipo de solo pesa diretamente nessa conta. Em áreas arenosas, a perda de umidade ocorre de forma acelerada, o que exige monitoramento constante para evitar que a secagem avance além do ponto desejado. Em solos mais argilosos, a retenção prolonga a umidade e pode atrasar a percepção do déficit pela planta, alterando o ritmo de alternância.
Na prática, o PRD aparece associado principalmente à irrigação por gotejamento e à setorização de linhas. Em pomares, produtores adaptam laterais e válvulas para permitir que apenas um lado da faixa radicular receba água por vez. Em cultivos em fileiras, o desenho do molhamento cria dois lados operacionais ao longo da linha de plantio, mantendo o mesmo princípio.
Além da economia hídrica, parte dos estudos relata impacto sobre o vigor vegetativo. Em determinadas culturas, a redução controlada da transpiração diminui crescimento excessivo da parte aérea e favorece a alocação de recursos para frutos, dependendo do estágio em que o déficit é induzido. Alterações em atributos de qualidade também são registradas em alguns cenários, mas não se repetem de forma uniforme.
A adoção da técnica exige infraestrutura capaz de operar setores independentes e manter uniformidade de aplicação. Em sistemas que irrigam apenas metade das raízes por vez, falhas de emissores ou desequilíbrios hidráulicos se refletem rapidamente no estado hídrico da planta. Ainda assim, o interesse cresce em regiões onde a água passou de insumo abundante a fator limitante.
Com reservatórios sob pressão, custos energéticos em alta e ciclos climáticos mais instáveis, produtores seguem ajustando intervalos, volumes e desenhos operacionais do PRD, enquanto avaliações continuam em andamento em diferentes culturas ao longo das próximas safras.












