Brasil fecha acordo com UE e isso pode trazer carros europeus mais baratos para o país, mas tem desafios
Pontos Principais:
- Imposto de importação de carros europeus, hoje em 35%, será reduzido gradualmente até zerar em 15 anos.
- Veículos a combustão terão carência de 7 anos e cota inicial de 32 mil unidades com tarifa reduzida.
- Modelos eletrificados começam com imposto menor já no ano zero e queda linear até tarifa zero.
- Marcas como Audi, Porsche, Volvo, Peugeot e Renault tendem a ganhar competitividade e espaço no Brasil.
- Indústria nacional, segundo a Anfavea, vê oportunidades, mas alerta para riscos à competitividade e empregos.

A assinatura do tratado entre a União Europeia e o Mercosul cria a maior área de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores e aproximadamente 25% do PIB mundial. Para o motorista brasileiro, o efeito mais palpável está nos carros: hoje taxados em até 35%, os modelos vindos da Europa entram em uma rota de redução tarifária que, com o tempo, tende a derrubar preços e ampliar a oferta de importados.
O cronograma é longo, mas claro. Para veículos a combustão, o acordo estabelece um período de carência de 7 anos sem redução de imposto. Só depois disso começa a queda linear, até a alíquota chegar a zero no 15º ano. Nesse intervalo inicial, haverá uma cota anual de 32 mil unidades que poderão entrar no Brasil com tarifa reduzida para 17%. Já os eletrificados largam na frente: no ano zero, o imposto cai imediatamente para 25% e passa a ser reduzido de forma gradual até zerar no mesmo horizonte de quinze anos.
O que muda no bolso e no mercado
Na prática, os primeiros a sentir o vento a favor devem ser os modelos de maior valor agregado, sobretudo os premium e os elétricos fabricados na Europa. Marcas como Audi, Porsche, Volvo, Peugeot e Renault passam a enxergar o Brasil como um mercado menos hostil em termos tributários, o que pode significar mais versões, volumes maiores e, aos poucos, preços menos proibitivos.
Para quem compra, a expectativa é de uma concorrência mais dura nos segmentos médios e altos, hoje dominados por modelos nacionais ou importados de outros polos produtivos. Para quem produz no Brasil, o cenário exige cautela. A Anfavea apoia o acordo, mas alerta para o impacto sobre a competitividade, o emprego e a cadeia de fornecedores, defendendo o longo período de transição como tempo necessário para adaptação.
Resumo das tarifas previstas
| Tipo de veículo | Imposto atual | Carência | Imposto inicial no acordo | Zerado em |
|---|---|---|---|---|
| Combustão | 35% | 7 anos | 17% dentro da cota | 15 anos |
| Eletrificados | 35% | Sem carência | 25% no ano zero | 15 anos |
Impactos além do preço
A redução tarifária não mexe só com o valor final na concessionária. Ela também abre espaço para uma maior circulação de tecnologia. Motores, transmissões, sistemas eletrônicos e soluções de segurança desenvolvidos na Europa passam a chegar com custos menores, o que pode baratear projetos locais e acelerar atualizações em modelos produzidos aqui.
Ao mesmo tempo, o acordo força as montadoras instaladas no país a repensarem posicionamento e conteúdo. Com importados mais competitivos, fica mais difícil sustentar preços elevados com pacotes enxutos. O consumidor, no fim da linha, tende a ganhar mais opções e mais equipamento pelo mesmo dinheiro.
Conclusão prática: o acordo não derruba preços amanhã, mas redesenha o mercado e coloca os carros europeus no radar como ameaça real aos modelos nacionais.
Principais pontos do acordo para o setor automotivo
- Criação de um mercado integrado entre 27 países da UE e 4 do Mercosul.
- Redução gradual do imposto de importação, hoje em 35%.
- Carência de 7 anos para veículos a combustão.
- Cota inicial de 32.000 carros com tarifa de 17%.
- Desgravação imediata para eletrificados, começando em 25%.
- Zeragem total do imposto em até 15 anos.
- Pressão competitiva sobre a indústria nacional, segundo a Anfavea.
- Maior acesso a tecnologia europeia e possível revisão de preços e versões.
No volante, isso significa que o carro europeu, hoje visto como luxo distante, passa a ser tratado como um competidor direto. Não será uma revolução instantânea, mas um processo contínuo que, ao longo da próxima década, deve mudar o desenho das vitrines e a lógica de preços no mercado brasileiro.














