Caça Gripen feito no Brasil é apresentado, mas poucos sabem o que ele realmente pode fazer
A apresentação do primeiro caça F-39E Gripen montado no Brasil, realizada nesta quarta-feira (25) em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, coloca o país em um grupo restrito que domina etapas críticas da produção de aeronaves de combate, ao mesmo tempo em que redefine o papel da indústria nacional na defesa aérea.
O modelo, desenvolvido pela Embraer em parceria com a sueca Saab, chega em meio ao programa de modernização da Força Aérea Brasileira, que prevê a substituição gradual dos antigos caças F-5, utilizados há décadas. O acordo, firmado em 2014, envolve a aquisição de 36 aeronaves e um investimento total de US$ 4 bilhões, equivalente a cerca de R$ 21,25 bilhões.
Produção nacional e transferência de tecnologia
A montagem do caça em território brasileiro não se resume à fabricação de uma aeronave. O processo envolve transferência direta de conhecimento, com mais de 300 engenheiros brasileiros treinados na Suécia e participação ativa no desenvolvimento do projeto, o que amplia a capacidade técnica da indústria nacional.
Segundo dados da própria Força Aérea, o programa já gerou mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil postos de trabalho ligados à cadeia produtiva.
Esse movimento reforça a posição do Brasil como polo de tecnologia avançada, especialmente em um setor tradicionalmente concentrado em poucos países.
Capacidade operacional e desempenho
O Gripen nacional opera em um patamar elevado de desempenho. A aeronave atinge até 2,4 mil km/h, velocidade equivalente a duas vezes o som, e tem autonomia de aproximadamente duas horas e meia de voo, podendo ser ampliada com reabastecimento em pleno ar.
Na prática, isso permite atuação em diferentes cenários, desde defesa do espaço aéreo até missões de ataque e reconhecimento, com flexibilidade operacional que não existia com a frota anterior.
- Velocidade máxima próxima de Mach 2, garantindo rápida resposta em situações de defesa aérea
- Autonomia ampliada com reabastecimento em voo, permitindo maior alcance estratégico
- Capacidade de operar em múltiplos cenários, incluindo missões reais já autorizadas
Em fevereiro deste ano, o modelo passou a operar em alerta de defesa aérea, o que indica que já pode ser utilizado em missões reais, inclusive na proteção do espaço aéreo da capital federal.
Sistemas de combate e guerra eletrônica
O diferencial do Gripen está concentrado nos sistemas embarcados. A aeronave integra sensores e ferramentas que ampliam a consciência situacional do piloto e aumentam a capacidade de sobrevivência em ambientes hostis.
Entre os recursos disponíveis estão sistemas de alerta de radar, identificação de ameaças e contramedidas eletrônicas capazes de confundir radares inimigos. O pacote inclui ainda mísseis de longo alcance, como o Meteor, já testado pela FAB em 2025, além de armamentos de curto alcance e canhão interno.
- Sistemas que detectam e identificam radares em solo, mar e ar
- Contramedidas eletrônicas que interferem em sistemas inimigos
- Capacidade de gerar alvos falsos para confundir mísseis
- Integração de dados em tempo real com outras forças e aeronaves
Esse conjunto permite que a aeronave atue em ambientes contestados, onde há presença de sistemas antiaéreos, mantendo a operação mesmo sob risco elevado.
Marco para a defesa aérea brasileira
A entrada do Gripen produzido no país consolida uma mudança estrutural na defesa brasileira. Não se trata apenas da substituição de aeronaves antigas, mas da incorporação de tecnologia que amplia a autonomia estratégica e reduz a dependência externa.
A cerimônia de apresentação contou com a presença do presidente da República e autoridades, reforçando o caráter simbólico do momento. Ao mesmo tempo, o programa segue em andamento, com novas unidades previstas dentro do contrato original.
Enquanto isso, o caça já começa a assumir funções operacionais, integrando a rotina da Força Aérea e ampliando a capacidade de resposta do país em um cenário internacional que continua em transformação.














