A presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas divulgou o relatório executivo da COP30, realizada em Belém, consolidando 56 decisões aprovadas por consenso entre os países e detalhando os próximos passos para transformar compromissos em políticas efetivas.
O documento reúne acordos que abrangem mitigação de emissões, adaptação, financiamento, tecnologia e perdas e danos, com a proposta de acelerar a transição energética e ampliar a resiliência de economias e ecossistemas diante das mudanças climáticas.
Entre os pontos centrais está a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035, com pelo menos US$ 300 bilhões provenientes de recursos públicos. O relatório também estabelece o compromisso de triplicar os investimentos destinados à adaptação no mesmo período.
O objetivo é ampliar a capacidade de resposta dos países, especialmente os em desenvolvimento, diante de eventos climáticos extremos e seus efeitos econômicos.
Outro avanço destacado é o aumento do número de países com metas atualizadas de redução de emissões. Ao final da conferência, 122 nações haviam apresentado suas contribuições nacionais, marcando um novo ciclo de compromissos dentro do acordo climático global.
O relatório organiza a implementação das decisões em três grandes eixos, descritos como mapas do caminho, que devem orientar políticas públicas e investimentos nos próximos anos.
Essas diretrizes funcionam como plataformas de ação para alinhar governos, setor privado e organismos internacionais em torno de metas comuns, com foco na execução prática dos compromissos assumidos.
Um dos instrumentos criados no contexto da conferência é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que busca garantir recursos de longo prazo para conservação e uso sustentável de áreas florestais em países tropicais.
O modelo combina financiamento público e privado, com base em resultados, e já conta com adesão de 52 países e da União Europeia. A proposta é oferecer previsibilidade e incentivo econômico para políticas de preservação.
| Iniciativa | Objetivo |
|---|---|
| Fundo Florestas Tropicais | Financiar conservação e uso sustentável |
| Mapas do caminho | Guiar políticas climáticas globais |
| Financiamento climático | Mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035 |
| Planos nacionais | Reduzir emissões e ampliar adaptação |
O relatório também incorpora acordos voltados a questões sociais, como a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, que reconhece a exposição desproporcional de populações vulneráveis aos impactos climáticos.
Outro documento relevante trata da relação entre clima, pobreza e segurança alimentar, com propostas que incluem ampliação de sistemas de proteção social, apoio à produção agrícola e investimentos em prevenção de desastres.
Essas iniciativas ampliam o escopo das políticas climáticas, conectando o tema ambiental a questões econômicas e sociais, especialmente em países mais afetados por eventos extremos.
O relatório também estabelece a continuidade das negociações e a preparação para a próxima conferência, a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em 2026.
A estratégia da presidência da COP30 envolve consolidar os planos apresentados, ampliar o financiamento e garantir que os compromissos firmados em Belém avancem para a fase de implementação, enquanto países e instituições começam a estruturar projetos e alinhar investimentos para cumprir as metas definidas.
Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil