A CPI do Crime Organizado no Senado entrou em uma nova etapa ao ampliar o foco sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A comissão aprovou requerimentos que preveem quebras de sigilo e convocações de pessoas ligadas ao caso, além de marcar o depoimento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que será ouvido sobre o avanço de facções criminosas em seu estado.
A audiência está prevista para ocorrer na próxima quarta-feira, às 9h. Senadores pretendem questionar o governador sobre ações adotadas pelo governo gaúcho no enfrentamento ao crime organizado, tema que ganhou peso no debate após o avanço de investigações federais relacionadas ao sistema financeiro.
Os parlamentares também analisam pedidos de quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de investigados que, segundo requerimentos apresentados na comissão, podem ter atuado em esquemas ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Entre os pedidos está o que envolve o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi preso pela Polícia Federal no dia 4 de março, data em que estava previsto para prestar depoimento à CPI.
Os requerimentos foram apresentados por senadores que acompanham o caso e pedem a ampliação do acesso a informações financeiras e comunicações dos investigados.
Segundo justificativas apresentadas na comissão, esquemas financeiros complexos frequentemente utilizam empresas e familiares para movimentar recursos ou intermediar operações.
Outro nome que entrou no radar da CPI é Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Ele também foi preso pela Polícia Federal na mesma operação e é apontado como suspeito de coordenar um grupo que teria atuado para intimidar adversários de Vorcaro.
Após a prisão, Mourão tentou suicídio na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte e foi levado ao Hospital João XXIII, onde permanece internado em estado grave.
Além dele, outros nomes foram incluídos na lista de possíveis convocados pela comissão. Entre eles estão Ana Claudia Queiroz de Paiva e Marilson Roseno da Silva, apontados como integrantes do grupo investigado.
A CPI também avalia ouvir servidores do Banco Central citados nos requerimentos, entre eles Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, investigados por suspeita de ligação com o banqueiro.
Outro ponto da investigação envolve denúncias feitas anteriormente por figuras públicas que alertaram sobre irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Entre os convocados também estão o empresário Vladimir Timerman e o ex-senador Pedro Taques, que apresentaram denúncias relacionadas ao Banco Master antes do avanço das investigações.
A sessão do Senado será realizada em formato interativo. Cidadãos poderão enviar perguntas ou comentários diretamente à CPI por meio da Ouvidoria do Senado ou pelo portal e-Cidadania.
O Senado informou que participantes cadastrados podem receber declaração de participação para fins acadêmicos, medida que tem sido usada para ampliar a interação da população em debates legislativos.
Enquanto a CPI avança na análise dos requerimentos e define novos depoimentos, senadores avaliam se o conjunto de informações obtidas com quebras de sigilo poderá esclarecer o funcionamento das operações investigadas e a possível rede de apoio ao Banco Master, tema que continua sendo discutido nas próximas sessões da comissão.