A decisão sobre uma possível paralisação nacional de caminhoneiros será tomada nesta quinta-feira (19), em assembleia marcada para as 16h no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista, em Santos, em um cenário de forte alta no preço do diesel e tensão crescente no setor de transporte.
O movimento ganhou força após sucessivos reajustes nos combustíveis nas últimas semanas, refletindo a escalada do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. No período recente, o diesel acumulou alta de 18,86%, enquanto o Brent saltou de US$ 72,48 para US$ 103,42.
A assembleia reúne lideranças de diferentes associações, entre elas a Abrava e o Sindicam, que defendem a paralisação como forma de pressionar por mudanças na política de preços e no cumprimento do piso mínimo de frete.
A orientação inicial, no entanto, busca evitar o bloqueio de rodovias, estratégia que marcou a greve de 2018. A recomendação é que motoristas permaneçam parados em postos ou em casa, reduzindo o risco de multas e ações judiciais.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística afirma que aguardará o resultado da reunião para definir se apoiará oficialmente o movimento, mas sinaliza alinhamento com a insatisfação da categoria.
Os caminhoneiros estão no limite e a implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria
Diante do risco de paralisação, o governo federal intensificou medidas para reduzir a pressão sobre os custos do transporte. Entre elas, a ampliação da fiscalização do piso mínimo de frete, com promessa de monitoramento integral das operações pela ANTT.
Além disso, foram adotadas ações tributárias para tentar segurar o preço do diesel, como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins. Paralelamente, a equipe econômica articula com estados a redução do ICMS sobre o diesel importado.
| Medida | Objetivo |
|---|---|
| Fiscalização de frete | Garantir cumprimento do piso mínimo |
| Zeragem de PIS/Cofins | Reduzir impacto imediato no diesel |
| Pressão sobre ICMS | Diminuir custo do combustível importado |
A Agência Nacional do Petróleo também anunciou o reforço na fiscalização de postos para coibir práticas abusivas, enquanto a Polícia Federal abriu investigação sobre possíveis irregularidades na formação de preços.
A possível paralisação ocorre em um momento delicado para a economia, com o transporte rodoviário sendo responsável pela maior parte da logística no país. Qualquer interrupção tende a afetar rapidamente o abastecimento e pressionar preços de alimentos, combustíveis e produtos básicos.
A crise atual combina fatores internos, como o cumprimento do frete mínimo, e externos, especialmente o custo internacional do petróleo, criando um cenário em que a margem de manobra do governo se reduz à medida que os preços continuam avançando.
A definição sobre a greve deve sair ainda nesta quinta-feira, após a assembleia em Santos, enquanto outras entidades aguardam o resultado para decidir se aderem ao movimento, em um contexto em que o mercado já reage à possibilidade de interrupções na cadeia de abastecimento.