Salvino Oliveira: Vereador preso por ligação com facção? A operação da polícia revela bastidores da campanha que podem mudar a política no Rio de Janeiro
O vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ) foi preso na manhã desta quarta-feira durante uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro voltada ao combate à facção criminosa Comando Vermelho. A ação, batizada de Operação Contenção Red Legacy, mobilizou agentes de diferentes unidades especializadas e resultou, até o momento, na detenção de outras cinco pessoas investigadas.
Segundo a corporação, a investigação aponta que o parlamentar teria mantido contato direto com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para negociar autorização para realizar campanha eleitoral em uma área dominada pela facção. O local citado na apuração é a comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste da capital fluminense.
De acordo com os investigadores, a negociação envolveria uma troca de interesses. Em contrapartida à permissão para a campanha, o vereador teria articulado ações que, segundo a polícia, beneficiariam o grupo criminoso, embora tenham sido apresentadas publicamente como iniciativas voltadas à população local.
Investigação cita influência de facção em decisões locais
Um dos episódios analisados pela investigação envolve a instalação recente de quiosques na região. Conforme apontado pela Polícia Civil, parte dos beneficiários desses espaços teria sido definida diretamente por integrantes da facção, sem qualquer processo público de seleção.
- Prisão de vereador durante operação contra o Comando Vermelho
- Investigação aponta negociação com traficante para campanha eleitoral
- Comunidade da Gardênia Azul aparece como área central da apuração
- Outros cinco suspeitos também foram presos
A Polícia Civil informou que a operação faz parte de uma investigação mais ampla que busca mapear a estrutura nacional do Comando Vermelho e identificar suas conexões políticas, financeiras e operacionais.
Estrutura da facção inclui conselhos e divisão territorial
Segundo a corporação, as investigações reuniram provas consideradas robustas sobre o funcionamento interno da organização criminosa. Os dados apontam para uma estrutura hierárquica com conselho nacional, conselhos regionais e divisão territorial entre integrantes.
Entre os nomes citados no inquérito está Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes históricos da facção. Mesmo preso, ele ainda exerceria papel relevante dentro do chamado conselho federal permanente do grupo.
A investigação aponta que o Comando Vermelho mantém estrutura organizada com cadeia de comando, divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados.
Outro nome citado é o do traficante Doca, identificado pela polícia como uma das principais lideranças nas ruas. A apuração também menciona Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão, apontado como responsável pela gestão financeira da organização.
Familiares de liderança também aparecem na investigação
A investigação ainda identificou a participação de familiares de Marcinho VP em atividades relacionadas ao funcionamento da organização criminosa fora do sistema prisional.
Segundo a polícia, Márcia Gama, esposa do criminoso e mãe do rapper Oruam, seria responsável por intermediar interesses da facção e facilitar a circulação de informações entre integrantes do grupo e pessoas externas à organização.
Outro nome citado é o de Landerson, sobrinho de Marcinho VP. A investigação aponta que ele atuaria como elo entre lideranças da facção, integrantes que operam em comunidades controladas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização.
Márcia Gama e Landerson não foram encontrados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.
As investigações também apontaram casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter acesso a informações sobre operações ou simular ações policiais.
A operação desta quarta-feira contou com agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais e equipes de delegacias especializadas da capital. A Polícia Civil informou que as apurações continuam em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar as responsabilidades penais dentro da estrutura investigada.















