Um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeito de planejar o sequestro do senador Sergio Moro foi preso nesta quarta-feira (4) no Ceará, encerrando meses de buscas por um dos nomes apontados como centrais na articulação de ataques contra autoridades públicas.
Capturado em Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, Sidney Rodrigo Aparecido Piovesan, conhecido como El Cid, estava foragido após fugir de uma penitenciária em São Paulo e vivia escondido com documentos falsos, segundo a Polícia Militar cearense.
A detenção ocorreu após levantamentos da Assessoria de Inteligência da PM do Ceará, que localizou El Cid nas proximidades de um condomínio de alto padrão, a mais de 300 quilômetros de Iguatu, onde a esposa do suspeito havia sido presa dias antes.
A mulher foi abordada pela Polícia Rodoviária Estadual quando seguia para São Paulo. Durante a fiscalização, apresentou documentação falsa e acabou detida, o que permitiu à polícia rastrear os deslocamentos do foragido.
No momento da prisão, El Cid tinha dois mandados de prisão em aberto expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, um por homicídio e outro por regressão cautelar relacionada à associação para o tráfico de drogas.
As investigações apontam que El Cid ocupava posição estratégica dentro do PCC, sendo responsável por organização, financiamento e planejamento de ações criminosas, incluindo sequestros e atentados contra agentes públicos.
O plano contra Moro teria começado a ser articulado em setembro de 2022, ainda durante o período em que o atual senador atuava de forma destacada no combate ao crime organizado. Além dele, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco do Ministério Público de São Paulo, também era alvo da célula criminosa.
El Cid responde ainda por crimes de tráfico de drogas, roubo e associação para o tráfico. Em seu histórico, pesa a acusação de participação em uma tentativa de homicídio contra cinco policiais militares em São Paulo, em março de 2014.
Ao ser informado da prisão, Moro afirmou que a captura reforça o impacto das ações adotadas por autoridades que enfrentaram o crime organizado nos últimos anos.
Em declaração pública, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), classificou El Cid como “um dos bandidos mais perigosos do país” e destacou a atuação da polícia cearense na operação que levou à prisão e posterior entrega do suspeito à Polícia Federal.
A Polícia Militar ressaltou que o suspeito não teve resistência no momento da abordagem e que a ação foi resultado de cooperação entre diferentes forças de segurança.
De acordo com os investigadores, El Cid é apontado como um dos chefes de uma célula do PCC especializada em ações de alto impacto, com capacidade logística para monitorar autoridades, levantar rotinas e organizar ataques coordenados.
O caso do sequestro de Moro ganhou repercussão nacional em 2023, quando veio à tona a existência de um plano estruturado da facção para atingir o senador e seus familiares, em uma escalada de retaliações contra agentes públicos ligados ao combate ao crime organizado.
A prisão desta quarta-feira é tratada pelas autoridades como um passo relevante no enfraquecimento dessa estrutura específica da facção, ainda que as investigações sigam em andamento para identificar outros envolvidos.