Ricardo Schnetzer dublador morreu aos 72 anos, ficou conhecido por ser voz de Al Pacino e Tom Cruise
Morreu em 4 de fevereiro de 2026, aos 72 anos, o ator e dublador Ricardo Schnetzer, um dos profissionais mais influentes da dublagem no Brasil, responsável por dar identidade nacional a personagens e estrelas centrais do cinema internacional.
A morte ocorreu após a progressão de uma esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que o afastou dos estúdios nos últimos meses e mobilizou colegas, fãs e entidades do setor artístico em campanhas de apoio ao tratamento.
Carioca, Schnetzer iniciou a carreira na década de 1970 e atravessou mais de cinco décadas de atividade contínua. A voz grave, precisa e flexível tornou-se referência técnica e passou a ser associada de forma recorrente a protagonistas do cinema norte-americano exibidos no Brasil.
Entre os papéis mais emblemáticos está o gângster Tony Montana, personagem de Al Pacino no filme Scarface. Também foi a voz brasileira do piloto Pete Maverick Mitchell, interpretado por Tom Cruise em Top Gun: Ases Indomáveis, produção que marcou época nos anos 1980 e voltou ao circuito décadas depois.
Continuidade vocal e reconhecimento popular
A carreira foi marcada pela continuidade. Schnetzer tornou-se dublador frequente de Nicolas Cage, além de Richard Gere e John Cusack, acompanhando a evolução física e interpretativa desses atores ao longo dos anos. A adaptação progressiva do timbre e do ritmo de fala consolidou uma relação de familiaridade com o público brasileiro.
No campo da animação, a presença foi igualmente determinante. Schnetzer deu voz ao Capitão Planeta, personagem central de uma das séries infantis mais exibidas dos anos 1990, associada a pautas ambientais. Também interpretou o arqueiro Hank, de Caverna do Dragão, e o vilão Slade, da série Jovens Titãs, ampliando o alcance da carreira para diferentes gerações.
Nos últimos anos, participou de produções do universo Star Wars, emprestando a voz ao personagem Boba Fett em conteúdos destinados ao streaming, mantendo atuação ativa mesmo com o avanço da idade.
Doença, afastamento e mobilização
O diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica foi divulgado no início de 2026. A doença afeta os neurônios motores responsáveis pelo controle dos músculos, provocando perda gradual de força, comprometimento da fala e da respiração, com preservação das funções cognitivas.
A progressão do quadro levou ao afastamento das gravações e à necessidade de cuidados domiciliares intensivos, incluindo enfermagem em tempo integral e fisioterapia respiratória. A situação gerou mobilização pública, com campanhas de arrecadação organizadas por profissionais da dublagem e admiradores do trabalho de Schnetzer.
Em vídeos publicados nas redes sociais nos meses anteriores à morte, o dublador agradeceu o apoio recebido e se referiu aos colegas e fãs como a “família da dublagem”, expressão que passou a simbolizar o vínculo construído ao longo da carreira.
A trajetória de Ricardo Schnetzer atravessou o período considerado clássico da dublagem brasileira, quando vozes nacionais ajudaram a moldar a forma como o público consumiu o cinema estrangeiro e construiu referências culturais duradouras.
A morte de Schnetzer encerra um ciclo associado à chamada dublagem raiz, marcada por elencos estáveis, gravações presenciais e forte reconhecimento vocal. O legado permanece em milhares de horas de áudio preservadas em filmes, séries e animações exibidas continuamente na televisão e nas plataformas digitais.
Até a última atualização, a família não havia divulgado informações sobre velório e sepultamento.














