Fictor pede recuperação judicial e tenta estancar crise de R$ 4 bilhões

O Grupo Fictor pediu recuperação judicial neste domingo, com cerca de R$ 4 bilhões em dívidas, após perder liquidez depois do fracasso da tentativa de compra do Banco Master e do desgaste causado pela intervenção do Banco Central.
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Fictor pede recuperação judicial e tenta estancar crise de R$ 4 bilhões

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor expõe um problema conhecido do mercado brasileiro, empresas que crescem apoiadas em confiança e acesso a crédito, mas travam quando a reputação sofre um abalo súbito.

Protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo no domingo, o pedido envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest e concentra cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. A empresa pediu a suspensão das cobranças por 180 dias e afirma ter condições de pagar integralmente os compromissos, sem desconto, dentro de um plano a ser negociado com credores.

A crise não começou na operação diária. O grupo atribui a perda de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor havia anunciado a intenção de comprar o banco um dia antes da intervenção da autoridade monetária. A operação não avançou.

O efeito foi imediato. O anúncio frustrado, seguido da liquidação do banco, atingiu a imagem do grupo e fechou portas no mercado financeiro. Segundo a própria empresa, a sequência de especulações e notícias negativas comprometeu o fluxo de caixa e dificultou a rolagem de dívidas, mesmo sem histórico prévio de atrasos.

Antes de recorrer à Justiça, a Fictor afirma ter iniciado um processo de enxugamento interno, com redução da estrutura física e do número de funcionários. A decisão, segundo o grupo, buscou preservar direitos trabalhistas e acelerar pagamentos indenizatórios, num movimento preventivo.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em setores distintos, como indústria alimentícia, energia, infraestrutura e meios de pagamento. No pedido apresentado à Justiça, a empresa deixou fora do processo as subsidiárias operacionais, que devem seguir funcionando normalmente, com contratos mantidos e atividades preservadas.

O caso ocorre num ambiente de maior vigilância regulatória e menor tolerância a riscos reputacionais. Negócios anunciados antes da aprovação formal de órgãos de controle passaram a ter impacto direto não apenas sobre a operação envolvida, mas sobre todo o grupo econômico.

A recuperação judicial da Fictor não trata de falência iminente. Trata de tempo. Tempo para reorganizar dívidas, reconstruir confiança e tentar provar ao mercado que o problema foi de liquidez, não de viabilidade. Se será suficiente, é outra história.

Pablo Silva
Pablo Silva
Especialista em jornalismo automotivo, analisa carros com olhar técnico e paixão por motores. Produz reportagens exclusivas e detalhadas para o Carro.Blog.Br.