Valor do salário mínimo 2026 subiu, é hora de pensar em comprar um carro novo?
O Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026 e muda, na prática, como o brasileiro financia, adia ou desiste de comprar um carro. O reajuste de 6,79% melhora a renda, mas não encurta a distância entre o piso salarial e os preços dos veículos.
O novo valor começa a aparecer no bolso a partir de fevereiro e alcança trabalhadores, aposentados e beneficiários atrelados ao piso nacional. No papel, o aumento de R$ 103 parece modesto. No cotidiano, ele interfere diretamente na conta que define se a prestação cabe no orçamento ou vira inadimplência.
🚗 Salário maior, carro ainda distante
Com o mínimo em R$ 1.621, a renda diária fica em R$ 54,04 e a hora trabalhada em R$ 7,37. Um carro de entrada novo, hoje na faixa de R$ 75 mil a R$ 85 mil, exige mais de 46 salários mínimos. Mesmo um usado simples, por R$ 40 mil, consome quase 25 salários integrais.
É por isso que o carro novo segue fora do radar para quem vive com o piso. A compra depende de crédito, e o crédito tem limites claros. Bancos trabalham com a regra informal de que a prestação não pode ultrapassar 20% a 30% da renda mensal. Para quem ganha o mínimo, isso significa parcelas entre R$ 320 e R$ 480.
💳 Financiamento trava no orçamento
Com essa margem, financiar um carro novo é inviável sem uma entrada alta. Um veículo de R$ 80 mil, com 20% de entrada e prazo de 60 meses, gera parcelas acima de R$ 1.000. Não fecha a conta.
No usado, a realidade melhora pouco. Juros mais altos e prazos menores empurram a parcela para perto do limite mensal. O reajuste do mínimo ajuda, mas apenas de forma marginal. Os R$ 103 extras podem destravar um crédito ou reduzir o risco, não mudar o patamar de consumo.
🧾 Consórcio vira plano B
Sem juros, o consórcio aparece como alternativa para quem não tem pressa. Uma carta de R$ 50 mil pode gerar parcelas na casa de R$ 600, dependendo do prazo e da taxa administrativa. Ainda pesa no orçamento, mas traz previsibilidade.
O problema é o tempo. A contemplação pode levar anos, o que não atende quem precisa do carro para trabalhar agora. Além disso, o valor do veículo sobe mais rápido que a carta de crédito em muitos grupos.
📊 O custo vai além da parcela

Comprar o carro é só o começo. Manter é o desafio real. IPVA, seguro, licenciamento, revisões e combustível somam facilmente mais de R$ 500 por mês em um carro popular. Para quem recebe R$ 1.621, isso significa comprometer quase um terço da renda apenas para manter o veículo rodando.
| Indicador | Valor em 2026 |
|---|---|
| Salário mínimo mensal | R$ 1.621 |
| Parcela máxima recomendada | R$ 320 a R$ 480 |
| Preço típico de carro novo | R$ 75 mil a R$ 85 mil |
| Preço comum de usado básico | R$ 25 mil a R$ 40 mil |
📉 Impacto econômico não vira carro novo
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o novo mínimo afeta 61,9 milhões de brasileiros e injeta R$ 81,7 bilhões na economia em 2026. Esse dinheiro vai, majoritariamente, para consumo básico, não para bens duráveis.
Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, seguro-desemprego e salário-família sobem junto com o piso. A renda melhora, mas a equação do carro próprio segue apertada.
🔎 O que muda de verdade
O reajuste do salário mínimo em 2026 reduz a pressão no orçamento e melhora a aprovação de crédito. Não aproxima o trabalhador do carro novo. A escolha segue pragmática, usado mais antigo, prazos longos, consórcio ou simplesmente adiar a compra.














