Gabriel Bortoleto teve o treino interrompido por uma falha técnica no Audi R26 no primeiro shakedown da Fórmula 1 2026 em Barcelona, paralisando a sessão por cerca de 20 minutos e obrigando a equipe a encerrar o programa por precaução.
O contratempo aconteceu logo no início da adaptação ao novo regulamento e serviu como um retrato fiel do que as equipes esperam das primeiras semanas: aprendizado rápido, problemas inevitáveis e muito trabalho de garagem. Em uma sessão fechada, com apenas um piloto por time, o brasileiro completou 27 voltas antes de estacionar o carro na pista, provocando bandeira vermelha e encerrando seu dia mais cedo do que o planejado.
A Audi informou que a decisão de não retornar foi estratégica. Em shakedown, o objetivo não é buscar tempo, mas validar sistemas, eletrônica, unidade de potência e integração dos novos componentes híbridos. Mesmo com quilometragem limitada, Bortoleto saiu do carro com uma leitura clara: o R26 é diferente de tudo o que ele já guiou na Fórmula 1.
Em conversa com engenheiros e depois com a imprensa, o piloto destacou a mudança de comportamento do conjunto, principalmente na entrega de potência e na sensação de velocidade nas saídas de curva. O novo regulamento, que amplia a participação elétrica para cerca de 50%, muda completamente a forma como o carro acelera, freia e se equilibra em trechos de baixa.
“É difícil até explicar. Você sai da curva e sente uma entrega de potência muito diferente. O carro é mais lento em reta, mas a forma como acelera mudou tudo. Precisa reaprender a pilotar”, afirmou Bortoleto.
O impacto não é apenas físico, mas mental. A leitura de aderência, o ponto de aplicação do acelerador e até o ritmo de construção da volta passam a seguir outra lógica. Em um paddock que se prepara para uma das maiores viradas técnicas da história recente da F1, o brasileiro deixou claro que adaptação será a palavra-chave de 2026.
| Posição | Piloto | Equipe | Tempo |
|---|---|---|---|
| P1 | Isack Hadjar | Red Bull | 1:18.835 |
| P2 | Kimi Antonelli | Mercedes | 1:20.700 |
| P3 | Franco Colapinto | Alpine | 1:21.348 |
| P4 | Liam Lawson | Racing Bulls | 1:21.864 |
| P5 | Esteban Ocon | Haas | 1:24.520 |
| P6 | Valtteri Bottas | Cadillac | 1:24.651 |
| P7 | Gabriel Bortoleto | Audi | 1:25.296 |
Mesmo com o último tempo da sessão, a posição pouco diz sobre o cenário real. Em dias como esse, cada equipe trabalha com mapas de motor conservadores, pneus duros e programas diferentes de coleta de dados. O que importa é entender como o carro responde e onde estão os primeiros limites.
Bortoleto saiu do cockpit com uma visão madura do momento. Não tratou a falha como sinal de alerta, mas como parte natural do nascimento de um projeto completamente novo. Para um piloto em sua segunda temporada na F1, a leitura técnica se mistura com a construção de confiança, algo essencial quando se enfrenta um regulamento que muda motor, aerodinâmica e pneus de uma vez.
Nos bastidores, engenheiros destacam que a Audi quer usar cada quilômetro das próximas semanas para refinar integração entre chassi e unidade de potência, especialmente no gerenciamento térmico e na recuperação de energia. O brasileiro, por sua vez, já mira os próximos dias de testes como a chance de transformar sensação em ritmo.
A temporada 2026 começa a ganhar forma não pelos tempos de tabela, mas pelos relatos de quem está no volante. E, nesse primeiro contato, Bortoleto deixou claro que a Fórmula 1 que surge agora exige outra leitura de pista, outra paciência e um novo tipo de agressividade. O cronômetro ainda não importa. O aprendizado, sim.