Gustavo Marques jogador Bragantino diz “Não colocar mulher para apitar”; zagueiro pode ser suspenso por machismo contra árbitra e caso vai ao STJD

Declaração contra árbitra no Paulista expõe jogador a julgamento; veja o que pode acontecer
Publicado por em Esportes dia
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A declaração do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, contra a árbitra Daiane Muniz, após a eliminação da equipe no Campeonato Paulista, pode resultar em suspensão de até 180 dias. O episódio ocorreu na noite de 21 de fevereiro de 2026, depois da vitória do São Paulo Futebol Clube por 2 a 1, em Bragança Paulista, resultado que garantiu a classificação do time à semifinal.

Na zona mista do estádio Nabi Abi Chedid, Gustavo Marques afirmou que não deveria haver mulher apitando uma partida daquele porte e questionou a honestidade da árbitra. As imagens circularam em transmissões esportivas e plataformas digitais, ampliando a repercussão e pressionando o clube a se manifestar poucas horas depois.

O enquadramento possível está no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê punição para quem pratica ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante relacionado a sexo, etnia, raça, orientação sexual, idade ou condição de pessoa com deficiência. A pena prevista varia de 30 a 180 dias de suspensão, além de multa.

O que diz a regra e como funciona a punição

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva estabelece que a simples prática do ato, independentemente de retratação posterior, pode gerar denúncia. Cabe a um promotor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva oferecer representação com base nas declarações públicas. Se houver denúncia, o atleta será julgado por uma comissão disciplinar.

  • Conduta discriminatória pode gerar suspensão de 30 a 180 dias
  • Retratação não impede abertura de processo
  • Denúncia pode ser feita a partir de imagens e entrevistas públicas

A retratação ocorreu ainda no estádio. Segundo o próprio jogador e nota divulgada pelo Red Bull Bragantino, Gustavo Marques procurou Daiane Muniz no vestiário para pedir desculpas e depois fez declaração pública direcionando pedido de perdão às mulheres. Na fala, afirmou estar arrependido e reconheceu que não deveria ter feito o comentário.

O jogo e a atuação da arbitragem

A partida foi disputada e marcada por forte intensidade. O São Paulo Futebol Clube abriu vantagem e administrou o resultado, enquanto o Bragantino descontou em cobrança de escanteio, com gol do próprio Gustavo Marques. A classificação do time comandado por Hernán Crespo foi considerada surpreendente pelo contexto do campeonato.

Não houve registro de decisão isolada de Daiane Muniz que tenha sido apontada formalmente como determinante para o resultado. A discussão pública concentrou-se nas declarações do zagueiro, não em lances específicos analisados pela arbitragem.

Relevância do caso no futebol brasileiro

O episódio ocorre em um momento de ampliação da presença feminina na arbitragem profissional. A possível denúncia ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva coloca em debate o limite das críticas a árbitros e a responsabilização por falas de teor discriminatório.

Caso seja denunciado e condenado, Gustavo Marques pode desfalcar o Red Bull Bragantino por meses, dependendo da pena aplicada. A decisão final caberá ao tribunal esportivo, que analisará o conteúdo das declarações e o enquadramento jurídico previsto no Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

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Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.