A Honda confirmou a chegada da X-ADV 2026 ao mercado brasileiro em abril, mantendo a fórmula que transformou o modelo em uma peça à parte no universo das duas rodas. A proposta continua a mesma, misturar a praticidade de um scooter com a robustez de uma trail, mas agora com ajustes que tentam resolver pontos do uso diário.
O preço sugerido parte de R$ 93.500, valor baseado em São Paulo e sem considerar frete ou seguro. O modelo será vendido em duas cores, branco perolizado e cinza fosco, mantendo o apelo mais sóbrio que já virou padrão na linha.
A X-ADV nunca foi pensada para ser apenas uma opção urbana. A posição de pilotagem elevada, somada à suspensão de longo curso, permite encarar ruas mal cuidadas e até trechos de terra sem transformar o trajeto em sofrimento.
Ao mesmo tempo, o conjunto mantém a lógica de uso simples de um scooter grande, com foco no deslocamento cotidiano. É essa mistura que sustenta o apelido de “SUV de duas rodas”, mais marketing do que definição técnica, mas que ajuda a explicar o posicionamento.
A linha 2026 traz um painel TFT colorido de 5 polegadas com nova interface, menus reorganizados e leitura mais limpa sob luz forte. A mudança não reinventa o modelo, mas corrige um ponto que já vinha sendo cobrado.
O comando no punho esquerdo também foi redesenhado, agora retroiluminado e mais intuitivo, facilitando o acesso às funções. O piloto pode alternar entre três estilos de visualização e controlar os sistemas sem precisar desviar tanto a atenção.
Outro avanço está no Cruise Control integrado à transmissão DCT, recurso que faz diferença real em trajetos longos. A moto passa a sustentar velocidade constante com menos esforço, algo que aproxima a experiência de modelos maiores.
O motor bicilíndrico de 745 cm³ segue sem mudanças. Entrega 58,6 cv a 6.750 rpm e 7,03 kgfm a 4.750 rpm, com comportamento focado em força em baixa e média rotação.
A novidade está nos ajustes da transmissão automática de dupla embreagem. A Honda recalibrou o sistema para tornar arrancadas mais suaves e melhorar o controle em baixa velocidade, especialmente em manobras lentas, onde antes havia críticas.
O conjunto mantém quatro modos de pilotagem, Sport, Standard, Gravel e Rain, que ajustam o comportamento da moto conforme o uso.
A X-ADV continua equipada com controle de tração em três níveis, permitindo escolher entre desempenho mais solto ou maior intervenção em pisos escorregadios. O sistema pode ser desligado, o que amplia o uso fora de estrada.
O ESS, que aciona o alerta em frenagens bruscas, segue como item de segurança ativa, algo cada vez mais comum, mas ainda pouco valorizado até fazer diferença.
Na ergonomia, o assento recebeu espuma mais densa, cerca de 10% maior, buscando reduzir o desgaste em viagens longas. O acesso ao compartimento sob o banco também foi facilitado com ajuste no sistema hidráulico.
A base da moto não mudou. O quadro Diamond em aço continua combinando rigidez e leveza, enquanto as suspensões de longo curso ajudam a absorver irregularidades sem sacrificar tanto o conforto.
Com 82 cm de altura de assento e guidão largo, a pilotagem privilegia controle e visão elevada, características que reforçam a proposta híbrida.
No fim, a X-ADV 2026 não tenta ser a mais potente, nem a mais barata. A aposta segue sendo outra, entregar uma moto que resolve diferentes cenários sem exigir troca de veículo. Para quem compra essa ideia, as mudanças chegam como ajuste fino, não como revolução.