Guerra no Irã: Quem é Ali Khamenei e por que ele concentra tanto poder no Irã
Ali Khamenei ocupa desde 1989 o posto de líder supremo do Irã, cargo que reúne autoridade religiosa e controle político sobre as principais decisões do país. Aos 86 anos, ele é o chefe de Estado de fato, comandante das Forças Armadas e responsável pela palavra final em temas como política externa, defesa e diretrizes estratégicas. Em meio a novos ataques confirmados pelos Estados Unidos neste sábado (28), o nome de Khamenei voltou ao centro da tensão entre Washington e Teerã.
Ali Khamenei e o poder concentrado no cargo de líder supremo
O modelo político iraniano foi desenhado após a Revolução Islâmica de 1979 para garantir que a autoridade máxima estivesse acima do presidente eleito. O líder supremo não é escolhido por voto popular direto, mas por um órgão religioso, a Assembleia dos Peritos. Uma vez nomeado, passa a ter influência decisiva sobre o Judiciário, as Forças Armadas, os serviços de inteligência e a política externa.
Khamenei acumula essas funções há 35 anos. Na prática, nenhum movimento estratégico relevante ocorre sem seu aval. Ele atua como árbitro final em disputas internas e define o rumo das relações com potências como os Estados Unidos e Israel.
Da Revolução de 1979 à sucessão de 1989
Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, Ali Khamenei participou dos movimentos religiosos e políticos que desafiaram o xá Mohammad Reza Pahlevi nos anos 1960 e 1970. Estudou em Qom e aproximou-se do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da revolução que derrubou a monarquia.
Após a consolidação do novo regime, Khamenei assumiu funções de destaque. Em 1981, sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado. No mesmo ano, foi eleito presidente do Irã e permaneceu no cargo até 1989. Com a morte de Khomeini, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos para sucedê-lo, mesmo sem possuir, à época, o grau religioso exigido pela Constituição. O texto constitucional foi alterado e ele foi confirmado definitivamente no posto.
Repressão interna e estrutura paralela de poder
Durante mais de três décadas, Khamenei enfrentou sucessivas ondas de protestos. Em 2022, manifestações em todo o país após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral resultaram em repressão violenta. Organizações de direitos humanos estimaram mais de 500 mortos.
Sob sua liderança, o Estado reforçou estruturas paralelas às instituições formais, como a Guarda Revolucionária do Irã, que atua ao lado das Forças Armadas tradicionais e tem peso central na segurança interna e na política regional. Essa arquitetura ampliou o controle do líder supremo sobre áreas estratégicas.
Política externa e o chamado Eixo da Resistência
No plano externo, Ali Khamenei sustentou apoio a grupos como Hezbollah, Hamas e houthis, aliados regionais que confrontam Israel e ampliam a influência iraniana no Oriente Médio. Essa estratégia sofreu reveses recentes, com enfraquecimento de aliados e mudanças no equilíbrio regional.
A escalada anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou agir para defender o povo americano de ameaças do governo iraniano, recoloca Khamenei no centro da disputa geopolítica. Como autoridade máxima do Irã, é ele quem define a resposta estratégica do país, mantendo-se, aos 86 anos, como o eixo decisório de um sistema moldado para preservar sua influência.
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