Melania Trump afirmou nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, que nunca teve relacionamento com Jeffrey Epstein, nunca viajou com ele e nunca foi apresentada a Donald Trump pelo financista. A declaração foi feita à imprensa na Casa Branca e teve como foco rebater acusações que, segundo ela, usam informações falsas para difamar sua reputação.
A primeira-dama dos Estados Unidos disse que as mentiras precisam acabar e atacou quem a associa ao caso. No pronunciamento, ela declarou que nunca esteve no avião de Epstein, nunca foi à ilha ligada ao financista e também negou ter estado com ele em viagens específicas, inclusive na França. A fala tenta encerrar uma onda de especulações que ganhou força com a nova liberação de documentos do caso.
Melania negou de forma direta quatro pontos centrais. O primeiro é qualquer relacionamento com Jeffrey Epstein. O segundo é ter sido apresentada a Donald Trump por ele. O terceiro é ter sido vítima de Epstein. O quarto é manter qualquer vínculo pessoal com Ghislaine Maxwell, ex-namorada do financista e condenada por recrutar meninas menores de idade para a rede de exploração sexual.
Ela afirmou que conheceu Donald Trump por acaso em uma festa em Nova York, em 1998. Também disse que só encontrou Epstein pela primeira vez no ano 2000, em um evento ao qual compareceu com Trump. Segundo Melania, naquele momento ela não tinha conhecimento das atividades criminosas atribuídas ao financista.
A versão apresentada por Melania é que o primeiro contato com Epstein ocorreu em 2000, dois anos depois de já ter conhecido Donald Trump. Esse ponto foi usado por ela para rebater a narrativa de que Epstein teria sido responsável por aproximá-la do então empresário, hoje presidente dos Estados Unidos.
Ao detalhar a cronologia, Melania buscou fixar um dado concreto no centro da resposta pública. Ela sustenta que o encontro com Trump ocorreu em 1998, em Nova York, e que a aparição de Epstein em sua trajetória só aconteceu mais tarde, em circunstância social e sem relação com o início de seu relacionamento com o marido.
Melania negou qualquer vínculo pessoal com Ghislaine Maxwell, mas reconheceu a existência de uma resposta por e-mail. Segundo ela, essa troca não pode ser classificada como nada além de uma correspondência casual. A declaração tenta reduzir o peso de qualquer contato documental que possa ser usado para sugerir proximidade com Maxwell.
Esse ponto é sensível porque Maxwell foi condenada por atuar como cúmplice de Epstein no recrutamento de menores. Ao negar relação pessoal e enquadrar o contato como casual, Melania tenta separar sua imagem de uma das personagens centrais do escândalo sexual que voltou a pressionar figuras públicas nos Estados Unidos.
O pronunciamento acontece em meio à nova escalada de repercussão do caso Epstein. Em fevereiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de páginas ligadas ao caso. A nova massa de documentos reacendeu o debate público e voltou a colocar nomes conhecidos sob pressão, mesmo quando não há acusação criminal formal contra todos os citados.
Melania afirmou que decidiu falar porque as acusações estariam difamando sua reputação. Ao mesmo tempo, ela disse que Epstein não agia sozinho e defendeu mais transparência. O gesto combina defesa pessoal com tentativa de reposicionamento político e público diante de um tema que continua produzindo desgaste institucional e midiático.
A primeira-dama pediu que o Congresso realize uma audiência pública com vítimas de Epstein. Segundo ela, todas as mulheres que desejarem devem ter o direito de depor publicamente e ter seus testemunhos registrados oficialmente. Na visão de Melania, só esse caminho pode levar ao esclarecimento dos fatos e à revelação da verdade.
Esse apelo amplia o alcance político do pronunciamento. Em vez de apenas negar associação pessoal, Melania também tentou se colocar a favor de uma apuração pública mais ampla. Com isso, sua fala sai do campo estritamente defensivo e entra na discussão sobre transparência institucional em torno de um dos casos mais explosivos dos últimos anos nos Estados Unidos.
Jeffrey Epstein foi um financista americano que se tornou conhecido mundialmente por comandar um esquema de abuso e exploração sexual de meninas menores de idade no início dos anos 2000. Ele foi preso em 2019 e acusado formalmente de tráfico sexual de menores, mas morreu na prisão enquanto aguardava julgamento. As autoridades concluíram que ele tirou a própria vida.
Em 2024, o caso ganhou nova dimensão com a divulgação de documentos judiciais que citaram mais de 150 nomes. Os arquivos fazem parte do processo de difamação movido por Virginia Giuffre, principal acusadora de Epstein, contra Ghislaine Maxwell. A condenação de Maxwell consolidou judicialmente sua atuação no recrutamento de menores para a rede de exploração sexual ligada ao bilionário.
Entre os nomes mencionados estão Bill Clinton, o príncipe Andrew e Donald Trump. No caso de Clinton, um porta-voz confirmou que ele viajou no avião particular de Epstein, mas negou envolvimento com os crimes. Em um depoimento de 2016, uma das vítimas relatou que Epstein mencionou que Clinton gostava de jovens.
No caso do príncipe Andrew, uma testemunha disse que ele colocou a mão em seu seio durante um encontro na casa de Epstein em Manhattan, em 2001. Andrew negou envolvimento. Apesar de não enfrentar acusação criminal, perdeu a maioria dos títulos reais e, em 2023, fechou acordo judicial com Virginia Giuffre por uma quantia não revelada, mantendo a negativa sobre o caso.
Donald Trump aparece citado várias vezes nos arquivos. Um dos pontos envolve uma denúncia de suposto estupro contra uma garota menor de idade, acusação que ele nega e que foi retirada em 2016. Trump também negou amizade com Epstein e ameaçou processar opositores que o associam ao caso.
Ao mesmo tempo, o próprio material recorda que a proximidade entre os dois foi pública nas décadas de 1990 e 2000. Trump já declarou que conhecia Epstein, mas disse ter rompido a relação depois que o escândalo sexual veio à tona. Documentos divulgados anteriormente também já haviam citado o nome do presidente em registros de voos de uma aeronave de Epstein e em uma carta de aniversário que teria enviado ao milionário no início dos anos 2000.