Neve na Rússia hoje: Nevasca mostra os limites dos SUVs e 4×4; ruas paralisadas nesta segunda
Pontos Principais:
- Carros ficaram completamente soterrados por até dois metros de neve, bloqueando ruas e impedindo qualquer deslocamento.
- SUVs urbanos e picapes 4×4 encalharam, mostrando que altura do solo e tração integral têm limites claros.
- Pneus comuns perderam aderência, e mesmo sistemas eletrônicos não evitaram rodas patinando no vazio.
- Apenas tratores e caminhões de serviço conseguiram abrir caminhos, enquanto veículos de passeio foram abandonados.

Kamchatka amanheceu nesta segunda, 19 de janeiro de 2026, com ruas soterradas por até 2 metros de neve, carros enterrados e tráfego urbano praticamente interrompido. A situação da neve na Rússia já dura dias, consequência imediata foi a paralisação quase total da mobilidade e um teste brutal para SUVs, picapes e veículos com tração 4×4, colocados diante de um cenário que vai muito além do que o marketing costuma prometer.
Em bairros inteiros de Petropavlovsk-Kamchatsky, a paisagem virou um mar branco onde só se veem antenas, retrovisores e, em alguns casos, o topo dos utilitários. Máquinas pesadas trabalham para abrir corredores estreitos entre montes de neve compactada. Carros comuns simplesmente desapareceram. E até modelos altos, com fama de encarar qualquer terreno, ficaram imobilizados como se estivessem ancorados no gelo.
A primeira ilusão que caiu foi a da altura. SUVs urbanos, com seus pouco mais de vinte centímetros de vão livre, encalharam assim que o para-choque virou uma pá. A neve empilhada tocou o assoalho, aliviou o peso das rodas e transformou a tração integral em espetáculo inútil de pneus girando no vazio. Picapes, mais altas e com pneus robustos, avançaram alguns metros a mais, mas logo afundaram pelo próprio peso, presas em trilhos brancos onde nem bloqueio de diferencial resolveu.
A segunda ilusão foi a da tração 4×4 como solução universal. Em Kamchatka, não faltou força, faltou chão. Sem superfície firme sob a neve, não há sistema eletrônico que faça milagre. O que se viu foram caminhonetes com rodas esterçando, controles piscando no painel e o carro imóvel, como se estivesse sobre sabão.
Os poucos que conseguiram se mover tinham algo em comum: preparação específica. Pneus de inverno de verdade, correntes, distribuição de peso adequada e, principalmente, vias parcialmente limpas. Onde a lâmina branca passava da altura do cubo da roda, nem isso adiantava. Só tratores e caminhões de serviço, com massa, torque e lâminas frontais, abriram caminho.
A nevasca de Kamchatka virou uma aula prática sobre limites físicos, segundo a SkyNews. Mostrou que entre o discurso de “encara qualquer terreno” e a realidade de uma rua soterrada existe um abismo. Em janeiro de 2026, o inverno russo lembrou, sem delicadeza, que a natureza impõe o limite final e que, diante de metros de neve, até o mais valente dos 4×4 vira apenas mais um carro parado.














