Trump: Vídeo de Obama gerado por IA publicado pelo presidente dos EUA gera polêmica na Truth social; entenda o caso e veja o vídeo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, um vídeo em sua rede Truth Social que provocou reação imediata de lideranças democratas e de integrantes do próprio Partido Republicano ao retratar Barack Obama e Michelle Obama como macacos em um trecho de um segundo inserido em uma peça de propaganda política.
A publicação ocorreu no contexto de um vídeo mais amplo que repete teorias conspiratórias sobre a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden, e inclui acusações falsas contra a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems, já rejeitadas por decisões judiciais. O conteúdo mistura imagens geradas ou editadas com memes satíricos, recurso que Trump tem intensificado desde o início de seu segundo mandato.
A cena que gerou indignação foi retirada de um meme no qual Trump aparece como um leão, apresentado como rei da selva, enquanto adversários políticos são representados como animais que o reverenciam ou fazem gestos caricatos. No trecho em que surgem Barack e Michelle Obama, toca ao fundo a música The Lion Sleeps Tonight, reforçando a associação simbólica.
A reação política foi imediata. Lideranças democratas classificaram a publicação como racista e ofensiva, destacando o histórico de ataques de Trump contra Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, que governou o país entre 2009 e 2017. A Casa Branca, por sua vez, reagiu afirmando que se tratava de indignação fabricada e minimizou o alcance do episódio.
Em comunicado à agência AFP, a secretária de imprensa Karoline Leavitt declarou que o vídeo fazia parte de um meme de internet que retrata Trump como o Rei da Selva e democratas como personagens de O Rei Leão, pedindo que críticos deixassem a indignação de lado e abordassem temas que considerassem relevantes para o público americano.
A controvérsia atravessou as fronteiras partidárias. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, apontado como possível candidato democrata à Presidência em 2028, classificou a publicação como comportamento repugnante e cobrou posicionamento público de lideranças republicanas. Newsom é um dos críticos mais constantes de Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca.
Entre republicanos, o senador Tim Scott, aliado de Trump, manifestou repúdio ao vídeo e afirmou esperar que a publicação fosse falsa, classificando o conteúdo como o mais racista já visto sair da Casa Branca. Scott defendeu a retirada imediata do material.
A reação também veio de figuras próximas ao ex-presidente Obama. Ben Rhodes, que atuou como assessor de Segurança Nacional, afirmou que, no futuro, os americanos tenderiam a lembrar os Obama como figuras queridas da história recente, enquanto Trump seria analisado como um episódio negativo do período.
O episódio reavivou lembranças do início da carreira política de Trump, marcada pela defesa da teoria conspiratória conhecida como birther, que questionava falsamente a nacionalidade de Obama. A rivalidade entre os dois se estende há mais de uma década e foi alimentada pela popularidade de Obama após deixar o cargo e pelo Prêmio Nobel da Paz recebido durante seu mandato.
Trump governou os Estados Unidos entre 2017 e 2021, perdeu a eleição de 2020 e retornou à Presidência em 2025, após o intervalo do governo Biden, em um movimento raro na história americana. Aos 79 anos, o republicano segue afirmando que venceu o pleito de 2020, apesar de todas as ações judiciais relacionadas ao tema terem sido rejeitadas.
O uso de inteligência artificial e de montagens digitais tornou-se frequente nas publicações do presidente. Em 2025, ele divulgou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e, posteriormente, atrás das grades. Em outro episódio, publicou um clipe que retratava o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, com adereços estereotipados, o que também gerou acusações de racismo.
A publicação mais recente segue disponível nas plataformas de Trump enquanto assessores e aliados avaliam os impactos políticos do episódio em um cenário já marcado por polarização e disputas antecipadas sobre a sucessão presidencial de 2028.
LMAO 💀Last night President Trump posted a video where one of my old clips appears at the very end.
You won’t believe which one 🤣☠️ pic.twitter.com/VIVnj7LRsZ
— 𝕏erias (@xerias_x) February 6, 2026














