É na fábrica da Volkswagen em Taubaté, no interior de São Paulo, que são produzidos hoje o Volkswagen Tera e o Volkswagen Polo, os dois modelos mais vendidos do mercado brasileiro. Essa concentração ajuda a explicar por que a unidade se tornou o principal polo industrial da marca no País e acabou de alcançar a marca histórica de 8 milhões de veículos fabricados.
O número não surge isolado. Ele acompanha um momento específico da Volkswagen no Brasil, marcado pelo avanço do Tera, um SUV que alterou rapidamente o equilíbrio do mercado e mudou a dinâmica da própria fábrica.
Produzido exclusivamente em Taubaté desde abril de 2025, o Tera passou a ocupar papel central dentro da operação da Volkswagen. Em poucos meses, o SUV ultrapassou 70 mil unidades fabricadas, um volume incomum para um modelo recém-lançado e que costuma levar anos para ser atingido.
O reflexo apareceu rapidamente fora dos portões da fábrica. O Tera se tornou o carro mais vendido do Brasil em setembro, outubro e novembro, apenas quatro meses após chegar às concessionárias. Esse desempenho acelerado exigiu ajustes de turnos, logística e abastecimento, transformando o modelo no principal motor de crescimento da unidade.
Enquanto o Tera acelera, o Polo sustenta a base. Em 2025, o hatch se consolidou como o carro de passeio mais vendido do País, com cerca de 119 mil emplacamentos. No mesmo ano, ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades produzidas no Brasil, somando os volumes das fábricas de Taubaté e Anchieta.
Dentro da planta paulista, essa combinação cria equilíbrio. O Polo garante previsibilidade e escala, enquanto o Tera amplia capacidade, gera novos investimentos e reposiciona a fábrica dentro da estratégia da marca.
O protagonismo do Tera também se reflete nas exportações. Até novembro, o SUV já havia sido enviado para 18 mercados da América Latina, liderando as exportações da Volkswagen do Brasil. O Polo aparece logo atrás, presente em 11 países.
Esse movimento reforça Taubaté como uma base regional de abastecimento e mostra que o sucesso do Tera não se limita ao mercado interno, mas faz parte de uma estratégia mais ampla da montadora.
Com os volumes atuais, a fábrica responde por 30,5% de toda a produção da Volkswagen no Brasil ao longo de 72 anos de atuação industrial no País. No acumulado histórico, a marca já exportou mais de 4,4 milhões de veículos, mantendo a liderança nacional tanto em produção quanto em exportações.
Esse peso explica por que Taubaté deixou de ser apenas uma unidade produtiva e passou a ser tratada como um dos pilares industriais da empresa na América do Sul.
O avanço do Tera trouxe impactos diretos além da fábrica. O projeto gerou 260 empregos diretos em Taubaté e cerca de 2.600 empregos indiretos na cadeia de fornecedores. Apenas em 2025, o SUV movimenta aproximadamente R$ 3,23 bilhões em compras de autopeças.
Com índice de nacionalização de 80%, o modelo ampliou a integração da Volkswagen com a indústria local, reforçando o papel econômico da fábrica na região.
Para sustentar esse crescimento, Taubaté passou por um processo profundo de modernização, com novos robôs, ferramentas, automação e avanços logísticos. Essas mudanças fazem parte do plano de investimentos de R$ 20 bilhões da Volkswagen na América do Sul até 2028.
A partir de 2026, todos os novos modelos desenvolvidos pela marca na região terão algum nível de eletrificação, incluindo soluções híbridas flex. Nesse cenário, o Tera não apenas marca uma virada comercial, mas ajuda a definir o futuro industrial da Volkswagen no Brasil.