Daniel Vorcaro: delação premiada pode salvar o banqueiro do Banco Master? Vorcaro troca advogado e bastidores do STF entram em alerta
A decisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, de substituir sua equipe de defesa após a manutenção de sua prisão pelo Supremo Tribunal Federal passou a ser interpretada nos bastidores políticos e jurídicos como um possível passo em direção a um acordo de delação premiada.
A mudança ocorre em um momento de pressão crescente sobre o empresário. Deixa o caso o advogado Pierpaolo Bottini e assume a defesa o criminalista José Luís Oliveira Lima, profissional conhecido no meio jurídico por atuar em alguns dos processos criminais mais complexos das últimas décadas.
Nos corredores de Brasília, a leitura predominante é pragmática: troca de advogado, em casos de grande repercussão, raramente acontece sem um cálculo estratégico. Em linguagem menos técnica, é o equivalente jurídico de mudar o volante no meio da corrida.
Troca de defesa chama atenção no meio jurídico
A saída de Bottini e a chegada de Oliveira Lima não ocorreram em um vácuo. Entre interlocutores do caso, a avaliação é de que o novo cenário abre espaço para discutir formalmente uma delação premiada.
Bottini é conhecido por ter posições restritivas em relação ao instrumento da delação. Além disso, mantém em sua carteira de clientes nomes que poderiam, em tese, aparecer em eventuais relatos do banqueiro, especialmente no campo político.
A entrada de Oliveira Lima muda o desenho.
- Advogado atuou na defesa de José Dirceu no processo do Mensalão
- Representou o doleiro Alberto Youssef em fases da Operação Lava Jato
- Defendeu o ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães
- Atuou no caso do médico Roger Abdelmassih
- Recentemente representou o general Braga Neto em julgamento relacionado à trama golpista
No meio jurídico, a reputação do criminalista é de alguém acostumado a lidar com negociações complexas envolvendo investigações de grande impacto político e institucional.
Investigações e sondagens preliminares
De acordo com relatos de pessoas que acompanham o caso, interlocutores ligados ao banqueiro fizeram consultas preliminares à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de um eventual acordo de colaboração.
Essas conversas não configuram negociação formal. Funcionam mais como sondagens iniciais para entender o ambiente entre investigadores e avaliar se haveria interesse institucional em ouvir o empresário.
Nos bastidores, a avaliação de aliados de Vorcaro é de que a prisão alterou o cálculo estratégico do banqueiro. A possibilidade de uma colaboração passou a ser considerada principalmente após o avanço das investigações sobre pessoas próximas.
Pressão sobre familiares entra na equação
O contexto familiar também aparece no radar da investigação.
O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, está preso. Já o pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal em apuração que aponta a ocultação de cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas relacionadas ao Banco Master.
Segundo investigadores, os valores teriam sido mantidos em nome do pai do empresário por meio da gestora Reag.
Nos bastidores do caso, investigadores avaliam que a evolução das apurações sobre familiares pode ter influenciado a mudança de postura do banqueiro.
A eventual colaboração de Vorcaro poderia ampliar o alcance das investigações e revelar detalhes ainda desconhecidos da operação financeira sob análise.
Por enquanto, não há pedido formal de delação premiada protocolado junto às autoridades. A substituição da defesa, porém, mudou o clima do caso em Brasília, onde investigadores e políticos acompanham com atenção cada novo movimento do banqueiro.














