Dario Durigan ficará no lugar de Haddad; Lula confirma troca no Ministério da Fazenda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira a substituição de Fernando Haddad no comando do Ministério da Fazenda, oficializando a ascensão de Dario Carnevalli Durigan ao cargo em meio ao movimento político que deve levar o ex-ministro à disputa pelo governo de São Paulo em 2026.
A indicação ocorreu durante evento público, em tom informal, mas suficiente para encerrar a especulação que já circulava nos bastidores desde o início do ano. Durigan, que ocupava o posto de secretário-executivo desde 2023, era considerado o nome natural para assumir a função.
Substituição já era tratada como inevitável
A saída de Haddad vinha sendo desenhada com antecedência. O anúncio da pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, previsto para esta sexta-feira, consolidou a necessidade de reorganizar a equipe econômica.
O próprio presidente sinalizou a mudança ao pedir que Durigan se levantasse durante o evento, indicando publicamente que ele passaria a concentrar as demandas da área econômica.
Nos bastidores, a transição é vista como uma tentativa de preservar a continuidade das políticas já em andamento, evitando ruídos em um momento sensível para a economia, com discussões sobre juros, combustíveis e arrecadação em curso.
Quem é Durigan e por que ele foi escolhido
Durigan chega ao comando da Fazenda com perfil técnico e trânsito político, características consideradas essenciais dentro do governo.
- Foi secretário-executivo da Fazenda desde 2023
- Já presidiu o conselho do Banco do Brasil
- Integra o conselho fiscal da Vale
- Atuou como diretor de políticas públicas do WhatsApp na América Latina
- Passou por órgãos como AGU, Casa Civil e Prefeitura de São Paulo
Formado pela USP e mestre pela UnB, construiu trajetória que combina atuação jurídica, econômica e articulação política, algo valorizado em um ministério que opera sob pressão constante do Congresso e do mercado.
Impacto político da saída de Haddad
A mudança não ocorre isoladamente. A decisão de Haddad de disputar o governo paulista reorganiza o tabuleiro eleitoral e também afeta a estratégia nacional do Partido dos Trabalhadores.
Internamente, o partido já discute nomes para compor a chapa, com a busca por um vice de perfil mais ao centro, tentando ampliar o alcance eleitoral em São Paulo. Ao mesmo tempo, há articulações para o Senado, com nomes de peso sendo considerados.
Haddad deve se afastar definitivamente das funções na Fazenda nas próximas semanas, após um curto período de transição.
Continuidade econômica sob teste
A permanência de Durigan no comando indica uma tentativa de continuidade, mas o cenário não é de estabilidade plena. O governo ainda negocia medidas para conter a alta dos combustíveis, discute ajustes fiscais e acompanha os efeitos das decisões internacionais sobre juros.
| Ponto-chave | Situação atual |
|---|---|
| Juros | Copom reduziu a Selic para 14,75% ao ano |
| Combustíveis | Negociação com estados sobre ICMS |
| Política fiscal | Ajustes e pressões no Congresso |
Durigan assume com o desafio de manter a interlocução com o mercado e garantir previsibilidade em um momento em que a política e a economia caminham juntas, às vezes na mesma direção, às vezes nem tanto.
Enquanto isso, Haddad prepara o lançamento oficial de sua candidatura em São Paulo, marcado para ocorrer no Sindicato dos Químicos, evento que contará com a presença de Lula e deve dar o tom da próxima fase da disputa eleitoral no estado.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil














