O presidente dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira (27) que se dá muito bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que adoraria recebê-lo na Casa Branca, reacendendo a expectativa de um encontro bilateral que vem sendo costurado desde o ano passado e que, até aqui, segue no campo das conversas diplomáticas.
A declaração foi feita a repórteres antes de embarcar para o Texas. Questionado se já havia uma data definida para receber Lula em Washington, Trump respondeu de forma direta, dizendo que tem boa relação com o presidente brasileiro e que gostaria de recebê-lo. Não mencionou calendário fechado, mas deixou a porta aberta, o que, em diplomacia, costuma valer como meio convite formal.
O próximo encontro entre os dois líderes está em discussão desde o ano passado. Em outubro, eles se reuniram por quase uma hora na Malásia, às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, em conversa que serviu como ponto de partida para um diálogo mais amplo entre Brasília e Washington.
Desde então, o tema de uma visita oficial ganhou corpo nos bastidores. No início deste mês, fontes ouvidas pela agência Reuters relataram que o governo brasileiro propôs a segunda quinzena de março como possível janela para a viagem de Lula aos Estados Unidos, especialmente na semana do dia 15. Até aquele momento, não havia resposta formal da Casa Branca.
Durante viagem à Coreia do Sul nesta semana, Lula afirmou que a reunião ainda não está marcada, mas disse acreditar que ela pode acontecer no dia 16 de março ou em data próxima. O presidente evitou detalhar a agenda do eventual encontro e preferiu manter o suspense diplomático.
“Se a gente ficar falando com muita antecedência o que vai acontecer na reunião, não precisa ter a reunião”, disse Lula, ao comentar a possibilidade de encontro.
O presidente brasileiro indicou, no entanto, que há diferentes frentes de interesse na pauta. Segundo ele, existem temas de interesse direto do Brasil, questões relacionadas ao multilateralismo e assuntos ligados à democracia que pretende discutir pessoalmente com Trump.
Embora o tom das declarações seja cordial, a formalização da visita depende de alinhamento entre as equipes diplomáticas dos dois países. O gesto público de Trump, ao afirmar que adoraria receber Lula, funciona como sinal político relevante, mas não substitui o rito protocolar necessário para confirmar data, agenda e formato do encontro.
Nos corredores diplomáticos, a leitura é de que há disposição para o encontro, mas a confirmação depende de ajustes finais. Até o momento, não houve anúncio oficial da Casa Branca com data fechada, e a definição segue em negociação entre os dois governos.