O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), e a esposa, Vanessa, são investigados em Andorra sob suspeita de lavagem de US$ 1,6 milhão. O caso envolve movimentações financeiras realizadas entre 2009 e 2011 e levou ao bloqueio de US$ 1,4 milhão em uma conta mantida no principado europeu.
Um relatório da Unidade de Inteligência Financeira de Andorra indicou suspeita de “delito grave de branqueamento de capitais” por falta de comprovação da origem dos valores depositados em conta no AndBank.
Segundo a investigação, os recursos teriam sido transferidos de contas vinculadas a uma offshore aberta no Panamá, chamada Visio Corporation LTD S.A., registrada em nome da esposa do vice-governador.
De acordo com o relatório, os valores passaram por sociedades instrumentais das quais não haveria informações disponíveis, com origem em países como Estados Unidos e Luxemburgo.
No início de 2025, a Justiça de Andorra solicitou cooperação jurídica internacional ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. O pedido resultou em processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
| Elemento | Informação |
|---|---|
| País da investigação | Andorra |
| Banco citado | AndBank |
| Instância no Brasil | STJ |
| Bloqueio judicial | US$ 1,4 milhão |
Em outubro de 2025, Ramuth e a esposa viajaram ao principado para prestar depoimento às autoridades locais.
As movimentações apontadas ocorreram quando Ramuth exercia o cargo de secretário de Transportes de São José dos Campos. Em 9 de maio de 2023, já como vice-governador, houve o bloqueio dos valores na conta aberta em 2009.
Na campanha de 2022, ao registrar candidatura como vice na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ramuth declarou à Justiça Eleitoral patrimônio total de R$ 1,4 milhão.
Procurado, Ramuth afirmou que os recursos têm origem lícita e foram declarados à Receita Federal do Brasil, incluindo a empresa aberta no Panamá em nome da esposa.
“Os recursos existem, têm origem lícita, inclusive anterior à minha trajetória política, e estão devidamente declarados.”
Segundo ele, a investigação não envolve acusações formais contra o casal, mas questionamentos relacionados ao banco. A defesa informou que os esclarecimentos foram apresentados à Justiça de Andorra, com envio de cópia da declaração de Imposto de Renda.
A defesa solicitou o arquivamento da cooperação internacional no STJ, sob o argumento de que a questão teria perdido objeto após os depoimentos prestados no exterior.
O caso segue em tramitação e depende de decisões das autoridades de Andorra e da análise do Judiciário brasileiro. Enquanto isso, o episódio mantém repercussão no cenário político paulista e nacional.
Foto: João Valério/Governo de SP.