O Caoa Chery Tiggo 7 Sport não virou sucesso por acaso. Em um mercado cada vez mais competitivo e dominado por SUVs compactos, o modelo encontrou um espaço raro ao oferecer porte de SUV médio, bom nível de conforto e preço abaixo do que o segmento costuma praticar. Em 2024, essa equação resultou em quase 31 mil unidades emplacadas, segundo a Fenabrave, um salto que colocou o carro entre os mais vendidos da categoria e consolidou a marca como uma opção concreta para o consumidor brasileiro que buscava algo além do básico.
A virada começou no posicionamento. Ao lançar o Tiggo 7 Sport por R$ 135 mil, valor que depois subiu para R$ 147 mil, a montadora atraiu um público que antes precisava escolher entre SUVs compactos bem equipados ou modelos maiores, porém mais caros. O modelo surgiu como uma terceira via, entregando mais presença, mais espaço e uma sensação de carro “acima da média”, sem exigir o orçamento típico de SUVs médios tradicionais.
O porte ajudou a selar essa escolha. Com 4,50 metros de comprimento, 1,84 metro de largura e 1,70 metro de altura, o Tiggo 7 Sport se diferencia logo no primeiro contato. O porta-malas de 525 litros virou um dos principais argumentos de venda, especialmente para famílias que precisam de espaço real no dia a dia e em viagens, algo que vai além do número no catálogo e se reflete no uso prático.
Carrinho de bebê, malas grandes e compras volumosas entram sem malabarismo, uma limitação comum em SUVs compactos que, no papel, parecem espaçosos, mas no uso cotidiano mostram suas restrições. Esse detalhe silencioso, mas decisivo, ajudou a explicar por que tantos compradores migraram para o Tiggo 7 Sport após comparações diretas nas concessionárias.
Para sustentar o preço competitivo, a Caoa Chery fez escolhas claras e assumiu cortes estratégicos. A versão Sport abriu mão de itens presentes nas configurações mais caras, como teto-solar panorâmico, câmera com visão 360 graus, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e alerta de colisão com frenagem automática.
Mesmo assim, o pacote manteve elementos que pesam na decisão de compra e ajudam a construir percepção de valor. Permaneceram seis airbags, bancos revestidos em couro, painel digital de 12,3 polegadas, central multimídia de 10,25 polegadas, chave presencial, carregador por indução, retrovisores com rebatimento elétrico e rodas de 18 polegadas. Para muitos consumidores, essa combinação foi suficiente para aceitar as ausências e fechar negócio.
Outra alteração relevante ocorreu sob o capô. O Tiggo 7 Sport deixou de usar o motor 1.6 turbo das versões superiores e passou a adotar o 1.5 turboflex de 150 cavalos e 21,4 kgfm de torque, sempre combinado a um câmbio CVT que simula nove marchas. Essa escolha, que no papel prometia suavidade e eficiência, acabou se tornando o ponto mais sensível do projeto.
Com o aumento da frota em circulação, cresceram os relatos de proprietários sobre consumo acima do esperado e comportamento irregular da transmissão. Em grupos de donos, fóruns especializados e plataformas de reclamação, o tema aparece com frequência crescente, alimentando dúvidas entre interessados que chegam à fase final de decisão.
Alguns casos no Reclame Aqui chamam atenção por envolverem veículos novos, com quilometragem muito baixa, o que naturalmente gera apreensão. Um dos relatos mais comentados foi registrado por um consumidor de Porto Alegre, que descreveu que o carro apresentou falha grave apenas oito dias após a retirada na concessionária, com pouco mais de 200 quilômetros rodados. O veículo parou de funcionar antes de uma viagem e precisou ser rebocado.
Na análise técnica, foi indicada a substituição completa do câmbio, um procedimento que levou cerca de 40 dias. A Caoa Chery realizou a troca dentro da garantia e forneceu carro reserva durante o período. Mesmo assim, o episódio se tornou emblemático por expor um problema que outros proprietários também passaram a relatar, ainda que em contextos diferentes.
Casos como esse ajudam a explicar por que o Tiggo 7 Sport vive hoje uma contradição difícil de ignorar. De um lado, é um dos SUVs mais vendidos do país, elogiado pelo espaço interno, pelo porte e pelo custo-benefício percebido. Do outro, acumula críticas relacionadas ao conjunto mecânico, especialmente ao câmbio CVT, algo que pesa no longo prazo e influencia a decisão de compradores mais cautelosos.
Esse contraste mantém o modelo no centro das discussões. Para muitos, o conjunto geral ainda compensa, especialmente quando aliado ao atendimento da marca e à cobertura de garantia. Para outros, a recorrência de relatos mecânicos reforça a importância de pesquisar a fundo, ouvir experiências reais e entender como a assistência técnica tem atuado antes da escolha final. O Tiggo 7 Sport segue forte nas vendas, mas o desafio agora é manter a confiança do público com o passar do tempo, algo que vai muito além dos números de emplacamentos.