Motoristas de Uber nos EUA estão recusando corridas, e o motivo envolve gasolina cara, apps e uma regra brutal que o Brasil já conhece

Preço do petróleo acima de US$ 100 muda estratégia de motoristas de aplicativo nos EUA e expõe limites do modelo de tarifas das plataformas.
Publicado por em Trabalho dia
Motoristas de Uber nos EUA estão recusando corridas, e o motivo envolve gasolina cara, apps e uma regra brutal que o Brasil já conhece
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O aumento recente do preço da gasolina nos Estados Unidos começou a alterar a dinâmica do trabalho em plataformas de transporte por aplicativo. Motoristas de serviços como Uber e Lyft passaram a selecionar corridas com maior potencial de lucro, recusando viagens consideradas pouco vantajosas diante da escalada do custo do combustível.

A mudança ocorre após a disparada do preço do petróleo no mercado internacional. O barril chegou a ultrapassar US$ 100 durante a semana, movimento associado às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Após declarações do presidente Donald Trump, a cotação recuou para perto de US$ 90, mas os efeitos no bolso dos motoristas já haviam aparecido.

Nos postos de combustível, o impacto foi imediato. Dados da associação americana AAA indicam que o preço médio da gasolina subiu cerca de US$ 0,40 por galão na última semana. Convertido para litro, o aumento equivale aproximadamente a R$ 0,50.

Para quem depende do carro para trabalhar, a conta muda rapidamente.

Motoristas começam a escolher corridas mais lucrativas

Diante do aumento dos custos, muitos motoristas passaram a priorizar viagens que oferecem maior retorno financeiro. A lógica é simples: trajetos mais longos ou em rodovias costumam gerar ganhos maiores e consumir menos combustível do que corridas curtas em áreas urbanas congestionadas.

Em Houston, o motorista Justin Fisher relatou ao Business Insider que alterou seus critérios de aceitação de corridas para preservar a renda líquida.

“Passei a aceitar apenas viagens que realmente compensam. Quando o combustível sobe, você precisa fazer essa triagem”, afirmou.

A estratégia inclui até aceitar corridas para regiões consideradas menos seguras, algo que, segundo ele, pode aumentar o valor das viagens. O cálculo passa a envolver não apenas distância, mas também tempo parado no trânsito e custo operacional.

Na Califórnia do Sul, Sergio Avedian, que trabalhou como trader em Wall Street antes de dirigir para Uber e Lyft, relatou uma alta ainda mais abrupta no combustível.

Segundo ele, em postos da região de Los Angeles o galão subiu cerca de US$ 1 em apenas uma semana.

Modelo de tarifas limita reação dos motoristas

O problema central apontado pelos motoristas é que as plataformas controlam o preço final das viagens. Quando o combustível sobe, os profissionais não conseguem repassar diretamente o aumento ao passageiro.

Essa estrutura limita a capacidade de adaptação do motorista.

  • O preço das corridas é definido pelos aplicativos
  • O motorista não controla a tarifa final
  • Custos operacionais podem subir rapidamente
  • O ganho líquido depende da eficiência das corridas

Segundo Avedian, o desequilíbrio fica evidente quando os custos sobem de forma repentina.

“Nós não damos as cartas. As tarifas continuam iguais enquanto os custos aumentam”, afirmou.

Combustível caro reacende debate sobre taxas extras

Com a pressão crescente sobre os motoristas, voltou à discussão a possibilidade de criar uma taxa temporária para compensar o aumento da gasolina.

Uma medida semelhante foi adotada em 2022, quando o preço do petróleo disparou após a invasão russa da Ucrânia. Na ocasião, Uber e Lyft aplicaram uma sobretaxa de aproximadamente US$ 0,45 a US$ 0,55 por corrida.

Alguns motoristas consideraram o adicional um alívio parcial, mas insuficiente para neutralizar completamente o aumento de custos.

Até o momento, as plataformas não confirmaram se avaliam repetir a estratégia.

Carros elétricos mudam a equação financeira

Enquanto motoristas que utilizam carros a combustão enfrentam pressão crescente nos custos, profissionais que dirigem veículos elétricos relatam uma realidade diferente.

Jaret, motorista de Uber e Lyft na Carolina do Norte, afirma que praticamente deixou de se preocupar com o preço da gasolina depois de migrar para um Tesla Model Y.

Segundo ele, o custo de energia representa uma parcela muito menor da receita.

Tipo de veículo Proporção da renda usada para energia
Carro elétrico Aproximadamente US$ 1 a cada US$ 14 ganhos
Carro a gasolina Cerca de US$ 1 a cada US$ 3 ganhos

Mesmo assim, motoristas afirmam que a pressão sobre a rentabilidade continua. Custos operacionais, manutenção e a política de tarifas das plataformas seguem no centro da discussão.

Enquanto o preço do petróleo permanece volátil e as plataformas mantêm o controle das tarifas, motoristas continuam ajustando sua estratégia corrida após corrida, numa tentativa constante de equilibrar receita e custo em um mercado que muda praticamente a cada semana.

Alan Corrêa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.