A tecnologia de pedágio Free Flow, que permite a cobrança automática sem necessidade de paradas, completa dois anos de operação no Brasil. Implantado pela primeira vez na BR-101 (Rio-Santos), o sistema eliminou as praças de pedágio tradicionais e passou a utilizar pórticos com sensores que identificam os veículos em movimento.
Pontos Principais:
O crescimento da aceitação do Free Flow foi confirmado por uma pesquisa do Sem Parar, feita entre os dias 19 e 25 de março de 2025 com 583 motoristas das regiões metropolitanas de São Paulo e do litoral Norte. Os dados mostram que 6 em cada 10 condutores dessas regiões já conhecem a tecnologia.
O índice de conhecimento aumentou 104% entre março de 2024 e março de 2025, passando de 27% para 55%. O crescimento mais acentuado foi entre março e dezembro de 2024, período em que o conceito se tornou mais conhecido entre os motoristas locais.
O número de pessoas que afirmam entender como funciona o sistema também aumentou, com uma evolução de 35% no mesmo intervalo de tempo. Já o uso efetivo do Free Flow cresceu 131%: em março de 2024, apenas 13% dos entrevistados haviam passado por um pórtico automático, percentual que subiu para 30% em março de 2025.
Desde sua estreia em março de 2023, o sistema já foi implementado em sete rodovias nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Atualmente, o Brasil conta com 13 pórticos ativos. A expectativa é que até o final de 2025 esse número suba para 42, chegando a 148 a partir de 2026.
A expansão mais recente será na Via Dutra, onde o sistema será implantado entre Arujá e São Paulo até maio de 2025. Segundo a mesma pesquisa, 58% dos motoristas já ouviram falar da chegada do Free Flow na rodovia, mas 60% ainda não sabem exatamente como funciona.
Mesmo com o avanço na popularização, a falta de informação sobre o funcionamento da tecnologia é um desafio. A maioria dos condutores que conhecem o nome ainda não compreende completamente a lógica de cobrança automática baseada em sensores, o que pode afetar a adesão inicial ao novo modelo na Dutra.
O Free Flow já é usado em países como Chile, Espanha, Portugal e Suécia. Sua principal promessa é reduzir congestionamentos e eliminar paradas obrigatórias para pagamento. No Brasil, a adoção tem sido associada à melhoria do fluxo de veículos em trechos rodoviários de grande movimentação.
A pesquisa foi conduzida com margem de erro de 4,06% e nível de confiança de 95%, abrangendo 39 municípios das regiões estudadas. O Sem Parar não apenas analisou o grau de conhecimento dos motoristas como também avaliou a percepção de agilidade, sendo que 95% dos entrevistados consideraram que a tecnologia trouxe melhorias nesse aspecto.
A expectativa das concessionárias e do governo é que a ampliação do Free Flow contribua para a modernização da infraestrutura rodoviária do país, simplificando processos de cobrança e melhorando a experiência de quem trafega pelas principais vias.
Com a proposta de transformar a fluidez do tráfego em trechos pedagiados, o modelo Free Flow começa a operar no Brasil de forma mais ampla. A adoção do sistema reflete uma mudança no modelo de cobrança em vias expressas, eliminando a necessidade de parar em cabines físicas. A inovação já está em testes práticos e, em alguns trechos, em operação ativa.
Essa nova forma de pedágio funciona sem barreiras físicas, com sensores que identificam o veículo por meio de tags e leitura automática de placas. A cobrança acontece de forma digital e o pagamento deve ser realizado posteriormente, caso não tenha sido feito por meio de uma tag eletrônica no momento da passagem.
A proposta visa reduzir a concentração de veículos nos pontos de cobrança e facilitar o deslocamento dos motoristas, especialmente em feriados e períodos de alta demanda nas estradas. As primeiras implementações ocorrem em estados estratégicos e incluem canais específicos para consulta de débitos e formas de pagamento digital.
O sistema utiliza sensores, câmeras e leitores automáticos para registrar a passagem dos veículos. Não há qualquer tipo de bloqueio ou cancela, o que significa que os carros podem seguir viagem sem interrupções físicas ao cruzar um ponto de pedágio.
A identificação é feita por dois mecanismos principais: leitura de placa por OCR e leitura de tags eletrônicas já utilizadas em pedágios tradicionais e estacionamentos automatizados. A ausência de cabine é compensada por monitoramento constante e cobrança remota.
Atualmente, o sistema está em uso no Rio de Janeiro, especificamente nos trechos de Paraty e Mangaratiba, desde 2023. No Rio Grande do Sul, a tecnologia também começou a ser implantada. O modelo ainda está em expansão, mas já apresenta um cenário de adaptação e testes em outros corredores viários.
O principal meio de pagamento é o uso das tags eletrônicas, como as que já são aplicadas em pedágios convencionais. O sistema reconhece o veículo no momento da passagem e realiza o débito na conta vinculada à tag.
Para veículos sem esse tipo de dispositivo, é necessário efetuar o pagamento do valor do pedágio em até 15 dias corridos após a data da passagem. A cobrança fica vinculada à placa do automóvel e pode ser quitada por diferentes meios.
No caso do trecho Rio-Santos, entre Ubatuba (SP) e a cidade do Rio de Janeiro, o condutor pode realizar o pagamento via WhatsApp da CRR RioSP. Também é possível quitar os débitos pelo aplicativo da concessionária ou presencialmente em pontos credenciados nas margens da rodovia.
Caso o valor do pedágio não seja quitado dentro do prazo de 15 dias, o débito passa a constar como pendência no registro do veículo, sendo exigido no momento do licenciamento anual.
Além do valor do pedágio, há aplicação de multa por evasão, de acordo com o artigo 209 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A penalidade inclui pontuação na carteira de habilitação do proprietário do veículo.
Essa punição é administrada pelos órgãos de trânsito estaduais e federais, e segue os mesmos procedimentos aplicáveis a multas de tráfego. A regularização é condição obrigatória para emissão do novo CRLV.
O novo modelo ainda exige adaptação por parte dos motoristas, que precisam se familiarizar com a ausência de cancelas e com a obrigatoriedade de quitar o valor em tempo hábil quando não utilizam tags.
Campanhas de conscientização têm sido promovidas pelas concessionárias, e os canais de atendimento eletrônico estão sendo fortalecidos para oferecer suporte. O governo federal acompanha a evolução do sistema e avalia sua expansão para outras regiões.
A longo prazo, o Free Flow pode se tornar o padrão em rodovias de grande circulação, especialmente em corredores logísticos e rotas turísticas. A ampliação, no entanto, depende da adaptação tecnológica das concessionárias e da aprovação dos órgãos reguladores.