A Petrobras anunciou que vai reduzir o preço médio do diesel A vendido nas refinarias para R$ 3,55 por litro a partir de 1º de abril, o que representa uma queda de 4,78% em relação ao valor anterior. Esse é o primeiro corte promovido pela estatal desde dezembro de 2023. A decisão foi comunicada pela presidente da companhia, Magda Chambriard.
Pontos Principais:
A companhia explicou que a nova tarifa considera a mistura obrigatória de 86% de diesel A com 14% de biodiesel para formar o diesel B, que é o tipo vendido ao consumidor nos postos. Com isso, a parcela da Petrobras no preço final será de R$ 3,05 por litro, o que representa uma queda de R$ 0,15 por litro para o consumidor final.
Apesar da queda anunciada, o valor do diesel nas bombas ainda não reverte integralmente o aumento de R$ 0,22 que havia sido aplicado em janeiro deste ano. O novo preço terá efeito direto sobre as distribuidoras e efeito indireto sobre os postos, pois outros fatores influenciam o preço final ao consumidor.
Segundo a Petrobras, desde dezembro de 2022, o diesel acumula uma redução de 20,9% nas distribuidoras, o que equivale a R$ 0,94 por litro. Ainda assim, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o valor praticado pela estatal estava acima da paridade internacional em R$ 0,08 por litro até esta segunda-feira.
O preço final do diesel nos postos é formado por diversos componentes, incluindo o valor do combustível fóssil vendido pela Petrobras, os impostos federais (PIS e Cofins), o imposto estadual (ICMS), o custo do biodiesel adicionado na mistura e as margens de distribuição e revenda.
A queda no preço do diesel tem potencial de impacto na inflação, já que a maior parte do transporte de cargas no Brasil é feita por caminhões. Segundo analistas, o impacto varia conforme o tipo de produto transportado. Itens com menor valor agregado, como alimentos, tendem a sentir mais os efeitos da variação do diesel em seus preços finais.
O governo acompanha o impacto da política de preços dos combustíveis sobre os índices inflacionários. A mudança ocorre em meio a discussões sobre os custos logísticos no país e medidas para tentar conter pressões inflacionárias indiretas.
A redução também ocorre em um cenário em que o ICMS sobre compras internacionais subirá de 17% para 20% em dez estados, a partir do mesmo dia 1º de abril. A alta foi definida em dezembro, e também incide sobre produtos comprados no exterior, como parte da política fiscal dos estados.
A Petrobras não informou se novas reduções poderão ocorrer nas próximas semanas, mas reforçou que seguirá avaliando as condições de mercado e a paridade internacional no cálculo dos valores.
A decisão de corte no valor do diesel foi anunciada oficialmente nesta segunda-feira (31), com entrada em vigor no dia seguinte. A medida ocorre em um momento de instabilidade nos preços de combustíveis e com impacto nos debates sobre transporte, inflação e consumo.
O impacto direto ao consumidor dependerá da política de cada posto, que também pode ser influenciada por estoques adquiridos anteriormente com preços mais altos. Assim, a queda de R$ 0,15 no diesel B pode não ser imediatamente percebida em todas as regiões.
Os dados do mercado mostram que mudanças no preço do diesel são acompanhadas com atenção pelo setor de transporte, varejo e indústria, dada a importância desse combustível na logística nacional. O acompanhamento contínuo dos preços pela Petrobras e pelas distribuidoras continuará sendo um ponto central para análise da inflação.
Fonte: G1 e Agenciabrasil.