Caminhão elétrico de 240 toneladas elimina diesel na mineração pesada africana

Ao invés de testes controlados, o caminhão elétrico de 240 toneladas foi direto para a prática em uma mina africana. A solução desenvolvida por Hitachi, ABB, Komatsu e Sumitomo une bateria e sistema de trólebus para eliminar o uso de diesel em operações pesadas. O projeto opera com suprimento contínuo e regeneração de energia, transformando um setor historicamente poluente em referência para extração limpa e sustentável.
Publicado por em Caminhões e Ônibus dia

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A indústria de mineração pesada enfrenta um divisor de águas com a adoção de um caminhão totalmente elétrico com capacidade para 240 toneladas. O veículo está em operação na mina de Kansanshi, na Zâmbia, uma das maiores produtoras de cobre do continente africano. Essa iniciativa representa mais do que um avanço técnico: marca o início da transição concreta para uma exploração mineral livre de diesel em escala industrial.

Na Zâmbia, um caminhão elétrico de 240 toneladas começou a operar em uma mina de cobre, marcando o início de uma nova fase para a mineração pesada global.
Na Zâmbia, um caminhão elétrico de 240 toneladas começou a operar em uma mina de cobre, marcando o início de uma nova fase para a mineração pesada global.

O projeto reúne quatro gigantes da engenharia e tecnologia: Hitachi Construction Machinery, ABB, Komatsu e Sumitomo. O grupo desenvolveu uma solução funcional baseada no modelo EH4000, tradicionalmente a diesel, transformando-o em um caminhão movido por bateria de alta capacidade e um sistema de alimentação aérea, inspirado nos trólebus urbanos.

O funcionamento é dinâmico. Em trechos planos, o caminhão usa exclusivamente a bateria. Nas subidas, conecta-se a cabos aéreos que fornecem energia contínua e permitem tração total mesmo com carga máxima. Nas descidas, um sistema de frenagem regenerativa transforma a energia cinética em eletricidade, recarregando o sistema automaticamente sem interromper a operação.

O modelo foi testado diretamente em ambiente real, o que difere da maioria dos experimentos com eletrificação pesada, geralmente restritos a áreas de testes. A escolha da mina africana se deu pelas condições operacionais intensas e pela necessidade crescente de alternativas energéticas em locais onde a extração mineral é estratégica.

Com a demanda por minerais como cobre, níquel e lítio projetada para quadruplicar até 2040, a eletrificação dos meios de transporte interno nas minas passou de tendência para necessidade. A operação elétrica elimina o uso de combustíveis fósseis em um dos processos mais intensivos em carbono da cadeia industrial.

A integração das tecnologias também foi pensada para otimizar a eficiência energética e reduzir custos operacionais a longo prazo. A aposta dos fabricantes é de que o sistema híbrido entre bateria e alimentação aérea se torne um novo padrão para veículos fora de estrada usados na mineração de grande porte.

Além da redução imediata das emissões, o modelo elétrico demonstra que é possível garantir produtividade, segurança e autonomia operacional em cenários extremos. A experiência africana pode abrir caminho para a adoção em larga escala em países que buscam alinhar competitividade mineral com compromissos ambientais mais rigorosos.

Fonte: Intelligentliving e Businessinsider.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.