BYD desafia Volkswagen Polo ao destacar que seu EV desvaloriza menos em novo comercial
A mais recente campanha televisiva da BYD com o hatch elétrico Dolphin Mini mostra que, no Brasil, a disputa entre marcas se dá agora tanto em peças criativas quanto em números concretos de mercado. Depois de ver um comercial anterior ter sido suspenso pelo Conar por menção direta ao rival Volkswagen Polo, a marca chinesa voltou com nova versão assinada pela agência WE, na qual a provocação perde as palavras e ganha o silêncio estratégico: o locutor é “censurado” justamente quando iria citar o nome do Polo, sugerindo que o adversário já foi calado.
Pontos Principais:
- A BYD lança novo comercial do Dolphin Mini em que o nome do concorrente é censurado como forma de provocação.
- O hatch elétrico registrou desvalorização de apenas cerca de 7,8 % entre agosto 2024 e agosto 2025.
- A desvalorização do Polo Track no mesmo período atingiu cerca de 17 %, mais que o dobro.
- A campanha, assinada pela agência WE, reforça o reposicionamento da BYD como marca do futuro e da mobilidade elétrica popular.
- A estratégia junta tecnologia, valor residual e narrativa de marca para disputar espaço no Brasil.
A criação opta por uma partida de polo como metáfora elegante — o carro elétrico contra o carro popular a combustão, o futuro contra o passado. Enquanto o jogo se desenrola, o narrador ressalta que o Dolphin Mini é “o carro que menos desvaloriza no Brasil”. A desvalorização média anual verificada de 7,8 % contrasta veementemente com os 17 % registrados pelo Polo Track no mesmo intervalo — de agosto 2024 a agosto 2025. Essa diferença chama atenção não somente para a competitividade dos elétricos, mas também para a maturidade crescente de plataformas e estratégia de valor de revenda da BYD.
No âmbito estratégico, a manobra da marca vai além da provocação: ela reforça a transição em curso no mercado automotivo brasileiro, onde o tradicional hatch a combustão — representado pelo Polo — disputa espaço com o que se configura como o novo popular elétrico. A BYD, cuja planta em Camaçari (BA) já iniciou produção do Dolphin Mini, sinaliza que está construindo o futuro localmente e não apenas exportando modelos prontos. Assim, o comercial assume dimensão simbólica: o “novo” popular não aceita mais ficar em segundo plano.
Em termos de posicionamento, o uso da agência WE demonstra que a BYD está empregando criatividade e audácia para traduzir números e tecnologia em narrativa de marca. A censura do áudio é, em si, parte da mensagem — ao implicar que o Polo não precisa ser citado porque está sendo superado. Tal abordagem pode ressoar junto a públicos jovens urbanos que veem o automóvel como tecnologia e estilo de vida, e não apenas utilitário.
Do ponto de vista econômico, o argumento da desvalorização assume força real: quem adquiriu o Dolphin Mini no valor de cerca de R$ 115.800 em agosto de 2024 verifica que o valor estimado recuou para cerca de R$ 106.715 em agosto de 2025 — uma queda de R$ 9.085, conforme levantamento do Mobiauto. Já o Polo Track, que custava R$ 89.990, encontra-se cotado em cerca de R$ 74.301 — uma perda de cerca de R$ 15.689. O distinto desempenho do elétrico transforma o valor residual em argumento de compra.
No entanto, a disputa permanece ampla e não se limita ao preço ou à desvalorização. A BYD reforça que o Dolphin Mini é o carro elétrico mais vendido do país nesta faixa, com cerca de 21.968 unidades emplacadas em 2024, e aponta para 2025 como exercício de consolidação da categoria. Em contrapartida, o Polo mantém seu volume de vendas robusto — mais de 140 mil unidades em 2024 — mas passa por questionamento estratégico no momento em que o mercado mira eletrificação.
Essa transição sugere que o jogo de mercado entre elétricos e tradicionais está entrando em nova fase no Brasil. Modelos como o Dolphin Mini não estão mais apenas sendo curiosidade tecnológica, mas começam a se consolidar como escolhas estratégicas de compra, com argumentos sólidos de valor e operação. A comunicação, por sua vez, acompanha essa mudança e se torna parte da disputa: o comercial silencia um rival para que a marca elétrica fale mais alto.
Fonte: B9, UOL e Automaistv.


































