BYD Dolphin Mini perde menos valor que Volkswagen Polo e muda cenário no mercado brasileiro
O mercado automotivo brasileiro passou por transformações significativas entre 2024 e 2025, e a diferença de desvalorização entre o BYD Dolphin Mini e o Volkswagen Polo é um reflexo direto dessa mudança. O subcompacto elétrico chinês, lançado em fevereiro do ano passado, registrou queda de apenas 7,8% no período, enquanto o Polo, hatch mais vendido do país em 2024, amargou perda de 17%.
Pontos Principais:
- BYD Dolphin Mini desvalorizou 7,8% contra 17% do Volkswagen Polo.
- Elétrico chinês foi lançado em fevereiro de 2024 e já é o mais vendido do segmento.
- Volkswagen Polo segue líder em vendas totais, com mais de 140 mil unidades em 2024.
- Linha 2026 traz Polo com menos versões e Dolphin Mini mais barato e produzido no Brasil.
Esse contraste mostra como o consumidor brasileiro começa a avaliar não apenas o preço inicial do veículo, mas também seu comportamento no mercado de usados. Quem adquiriu um Dolphin Mini zero quilômetro por R$ 115.800 em agosto de 2024 tem hoje um carro avaliado em R$ 106.715. Já o comprador de um Polo Track, versão mais acessível do hatch, pagou R$ 89.990 e agora encontra um valor médio de revenda de R$ 74.301, evidenciando a maior perda patrimonial.


O levantamento da Mobiauto destaca a mudança de percepção em relação aos elétricos. Enquanto os modelos a combustão sempre dominaram as estatísticas de vendas, agora surge um novo elemento: a resistência de preço dos veículos eletrificados. Embora o Polo tenha registrado mais de 140 mil unidades vendidas em 2024, ficando atrás apenas da Fiat Strada no ranking geral, o Dolphin Mini conquistou 21.968 licenciamentos no mesmo período, alcançando a 35ª posição e se tornando o elétrico mais emplacado do país.
Esse desempenho ganha ainda mais relevância diante da linha 2026. O Dolphin Mini passou a ser vendido em versão única de cinco lugares, com preço reduzido para R$ 119.990, cerca de R$ 3 mil abaixo da tabela anterior. Além do valor, a novidade fica por conta da nova cor Azul Glacial, que se soma ao catálogo de quatro opções, além do motor elétrico de 75 cv, 13,8 kgfm de torque e bateria de 38 kWh, com autonomia de 280 km segundo o Inmetro. Produzido em Camaçari (BA), ele é o primeiro elétrico montado em série no Brasil e já caminha para nacionalização plena.
Do lado da Volkswagen, o Polo teve seu catálogo enxugado com a chegada do Tera, novo SUV de entrada. De sete versões, restaram apenas três: Track, Sense e Highline. As motorizações seguem as conhecidas: o 1.0 aspirado de 84 cv com câmbio manual de cinco marchas e o 1.0 turbo de até 116 cv aliado à transmissão automática de seis velocidades. Os preços variam entre R$ 87.845, considerando descontos de programas governamentais, e R$ 93.660, conforme dados do configurador.
Essa reorganização da linha Polo contrasta com a estratégia da BYD de apostar em simplicidade e custo-benefício. Enquanto o hatch alemão busca manter relevância no segmento tradicional, o elétrico chinês reforça a narrativa de que a perda de valor mais lenta é um diferencial competitivo capaz de atrair novos perfis de consumidores. O fato de o Dolphin Mini ter superado o índice de desvalorização de um modelo consolidado como o Polo aponta para uma mudança estrutural no mercado.
A disputa entre os dois modelos também evidencia trajetórias distintas. O Polo segue com a liderança em vendas absolutas, sustentado por sua rede consolidada e apelo como carro popular entre os compactos. Já o Dolphin Mini, mesmo distante nos números totais, lidera no segmento dos elétricos e mostra que a fidelidade dos clientes começa a ser conquistada não apenas pelo custo inicial, mas pela preservação do valor de revenda, um fator cada vez mais relevante em um país de alta volatilidade econômica.


































