Em um cenário marcado pela aceleração do mercado de carros eletrificados no Brasil, a BYD consolidou em junho de 2025 um feito inédito no setor automotivo nacional. A fabricante chinesa atingiu 76,2% de participação nas vendas de carros 100% elétricos no país, com 4.475 unidades emplacadas apenas no mês. O desempenho revela não apenas o avanço agressivo da marca, mas também uma reorganização completa da disputa por espaço em um segmento historicamente dominado por montadoras tradicionais europeias.
Os modelos Dolphin Mini e Dolphin foram os grandes motores dessa performance. Juntos, somaram 3.403 unidades vendidas, o que representa mais de 70% do total de elétricos emplacados no período. O Dolphin Mini liderou com 1.913 unidades, seguido de perto pelo Dolphin com 1.490. O Yuan, outro modelo da BYD, completou o pódio com 743 emplacamentos. A linha foi responsável por empurrar concorrentes tradicionais para patamares muito abaixo do esperado.
A Volvo, segunda colocada no ranking de fabricantes, vendeu apenas 464 veículos, garantindo 7,9% de market share, com destaque para os modelos EX30, EX90 e EC40. A Renault, na terceira posição, emplacou 214 unidades — puxada principalmente pelo compacto urbano Kwid E-Tech. Logo atrás vieram GWM (183), BMW (104), Omoda (99), JAC (70), GAC (64), MINI (39) e Zeekr (35), compondo um top 10 diversificado, mas ainda muito distante da líder isolada.
Na lista dos modelos, a liderança da BYD também se repete com o Seal, que aparece na quinta colocação com 322 unidades. No ranking geral, os dez modelos mais vendidos em junho foram dominados por nomes chineses, com presença isolada da BMW (IX1) e da Renault (Kwid E-Tech), demonstrando que a concorrência estrangeira tradicional perdeu terreno de forma significativa no país.
Mais do que números expressivos, a força da BYD no Brasil reflete uma estratégia de longo prazo baseada na popularização de modelos acessíveis e tecnologia de ponta. A empresa começou a avançar não apenas com veículos competitivos em preço e design, mas também com promessas de infraestrutura robusta, como a instalação de carregadores ultrarrápidos de 1.000 kW, capazes de fornecer autonomia de até 400 km em apenas cinco minutos.
Essas estações de recarga de 1 MW serão levadas pela marca para a Europa, começando pelo Reino Unido em 2026, junto com o lançamento do Denza Z9 GT. A BYD já planeja instalar 15 mil carregadores desse tipo na China, com baterias de 1.000 volts, chamadas Flash Charging Battery. A tecnologia é vista internamente como um divisor de águas, capaz de redefinir a relação dos consumidores com a autonomia e o tempo de carregamento.
Em meio à consolidação de sua liderança, a BYD também se beneficia de um momento delicado para rivais europeias e japonesas, que enfrentam obstáculos logísticos, alta nos custos de produção e uma base de consumidores que começa a migrar para opções mais eficientes, modernas e conectadas com a nova realidade da mobilidade elétrica. Enquanto isso, a BYD não apenas vende mais — ela molda o mercado à sua imagem.
Fonte: Terra e Mundodoautomovelparapcd.