A BYD, que até poucos meses celebrava ter superado a Tesla como maior fabricante de carros elétricos do mundo, enfrenta agora uma desaceleração que preocupa investidores e analistas. O segundo trimestre de 2025 marcou a primeira queda de lucros em três anos, revelando fragilidades em um mercado altamente competitivo e instável.
Entre abril e junho, a companhia registrou 6,4 bilhões de yuans em lucro líquido, cerca de R$ 4,8 bilhões, valor 28,9% inferior ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem abaixo das expectativas, que giravam em torno de 10,7 bilhões de yuans. Essa discrepância mostra como as previsões otimistas do início do ano, quando a marca havia mais que dobrado seu lucro no primeiro trimestre, rapidamente deram lugar a um cenário de alerta.
A pressão sobre a rentabilidade está diretamente ligada à guerra de preços no mercado chinês. O governo, preocupado com práticas consideradas predatórias, impôs restrições a descontos agressivos e acelerou exigências de pagamentos a fornecedores. A BYD reduziu seus prazos para 60 dias, comprometendo parte de seu capital de giro, que fechou junho com déficit superior a 122 milhões. Essa medida reforça como a empresa tem lidado com um ambiente de margens cada vez mais comprimidas.
Outro ponto central é a queda nas vendas internas de carros elétricos na China. O consumo que antes impulsionava as metas de crescimento das montadoras passou a desacelerar, criando um cenário de maior seletividade entre consumidores e maior dependência de incentivos locais. Para uma empresa que se expandiu rapidamente em sua base doméstica, a retração do mercado exige estratégias de diversificação e internacionalização ainda mais urgentes.
No plano externo, a BYD volta seus esforços para consolidar presença na Europa. O continente é visto como espaço estratégico para compensar a estagnação do consumo na Ásia, ainda que enfrente barreiras regulatórias e concorrência de marcas tradicionais. A busca por credibilidade global ganha mais força diante do atual enfraquecimento das margens internas, tornando as exportações peça-chave de sobrevivência.
A queda das margens brutas de 18,7% para 16,3% em um ano traduz o peso da competição feroz. Para uma montadora que se posicionava como símbolo de crescimento ilimitado, os números recentes evidenciam que mesmo os líderes de mercado não estão imunes às pressões econômicas, políticas e setoriais.
Se no início do ano a BYD era apresentada como modelo de sucesso absoluto, o trimestre mais recente mostra que as engrenagens do setor automotivo elétrico funcionam sob lógicas muito mais complexas. O desafio agora é equilibrar custos, garantir fôlego financeiro e reafirmar sua posição em um tabuleiro global que se tornou ainda mais desafiador.
Fonte: Terra, Clickpetroleoegas e QuatroRodas.