A BYD vai produzir o BYD Song Plus em Camaçari a partir de 2026, decisão que coloca o SUV híbrido plug-in mais vendido do Brasil no centro da estratégia industrial da marca no país.
Lançado em 2022, o Song Plus virou rapidamente um dos carros mais comuns entre os híbridos plug-in nas ruas brasileiras. Não por moda, mas por entrega. O modelo caiu no gosto de quem queria rodar no elétrico no dia a dia sem abrir mão da segurança do motor a combustão em viagens mais longas. Produzi-lo localmente é um passo lógico depois desse histórico de vendas.
A fábrica de Camaçari, que começou a operar há pouco mais de dois meses, já produziu cerca de 20 mil veículos de outros três modelos da marca. Com o Song Plus, o complexo passa a montar quatro carros diferentes, sinal claro de que a BYD não enxerga o Brasil como mercado de teste, mas como base industrial de longo prazo.
Mesmo já tendo sido substituído na China, o Song Plus segue relevante fora de lá. A própria BYD admite que o mercado chinês opera sob outra lógica, com ciclos mais curtos e ritmo diferente de renovação. No Brasil, o SUV ainda atende bem o que o consumidor procura, espaço, conforto, rodar silencioso na cidade e custo de uso mais previsível.
O peso do investimento ajuda a entender a decisão. Do total de R$ 5,5 bilhões previstos para essa fase, mais de R$ 3 bilhões já foram aplicados. A meta futura é chegar a uma capacidade de 600 mil unidades por ano, número que só se sustenta com produção local e modelos de alta demanda, como o Song Plus.
Para quem compra, a fabricação no Brasil tende a trazer efeitos práticos. Menor exposição ao câmbio, mais estabilidade de oferta e, no médio prazo, chances maiores de ajustes de preço e pós-venda mais estruturado. Para a indústria, significa ampliar fornecedores locais e gerar empregos numa região que já conhece bem o peso de uma grande montadora.