O impasse sobre a inauguração do complexo industrial da BYD em Camaçari (BA) segue alimentando dúvidas. Apesar de declarações otimistas da vice-presidente global Stella Li, que prometeu o início da montagem de veículos em junho, representantes sindicais e trabalhadores afirmam não ter recebido nenhum comunicado oficial. A ausência de sinalizações concretas tem gerado desconfiança quanto ao real compromisso da montadora com a produção nacional.
Pontos Principais:
Nos bastidores, o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari demonstra preocupação com o que considera uma estratégia da empresa para transformar o espaço em centro de distribuição, em vez de uma fábrica com todas as etapas produtivas. A declaração do presidente do sindicato, Júlio Bonfim, foi clara: montar veículos em SKD não é produção local de fato, e a comunidade espera estamparia, solda e nacionalização real.
A BYD reafirma que a planta baiana será o maior polo fora da China e manterá investimento de R$ 5,5 bilhões, com promessa de geração de até 20 mil empregos. Mas até agora, apenas cerca de 350 trabalhadores compõem a equipe, e não houve aceleração nas contratações, o que reforça as suspeitas do sindicato sobre a ausência de um cronograma transparente.
Outro ponto que preocupa os metalúrgicos é a movimentação logística da marca chinesa. Com quatro navios próprios — número que deve dobrar até 2026 — e envio recorde de veículos para o Brasil, a BYD já mostra capacidade para suprir o mercado nacional com importações diretas, sem depender de produção local.
O envio recente de 7 mil veículos em um único navio reforça essa tendência. O volume supera a marca anterior de 5,5 mil carros e mostra a força da logística da empresa. Além disso, há aumento na produção na unidade chinesa de Zhengzhou, que deve atingir 1 milhão de unidades este ano.
O temor sindical se intensifica com o pedido recente da BYD para obter redução fiscal na montagem por SKD e CKD em Camaçari. Essa solicitação, somada ao perfil atual do complexo e à lentidão na comunicação com os trabalhadores, alimenta o receio de que o projeto de industrialização se limite a operações logísticas.
Apesar da nota oficial reafirmando o compromisso da empresa com o Brasil, o cenário ainda é incerto. A ausência de um anúncio formal para os trabalhadores e a discrepância entre o discurso e os fatos concretos levantam questionamentos sobre os reais planos da montadora chinesa no país.
Fonte: AutoEsporte, QuatroRodas e Autodata.