Chevrolet Onix 2026 enfrenta crise da correia banhada a óleo e perde liderança no Brasil

A polêmica da correia banhada a óleo no Chevrolet Onix gerou crise virtual, suspeita de bots e queda nas vendas. GM responde com nova peça reforçada, garantia ampliada e revisão gratuita.
Publicado por em Chevrolet dia | Atualizado em

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A polêmica envolvendo a correia banhada a óleo do Chevrolet Onix se transformou em um dos debates mais intensos do setor automotivo brasileiro em 2025. Desde julho, a General Motors passou a enfrentar uma onda de críticas nas redes sociais, especialmente no YouTube e Instagram, onde consumidores questionam a durabilidade da peça. A fabricante sustenta que apenas 3% das interações em seus canais oficiais tratam do assunto, mas admite que o tema ganhou proporção devido ao possível uso de bots, perfis automatizados que amplificam críticas em larga escala.

Pontos Principais:

  • Crise da correia banhada a óleo do Chevrolet Onix ganhou força nas redes sociais.
  • GM acusa uso de bots para amplificar críticas e apresentou estudo sobre comentários repetitivos.
  • Nova correia reforçada com Kevlar e teflon lançada na linha 2026 com garantia de 240 mil km.
  • Onix caiu para a quarta posição em vendas no Brasil em 2025, atrás de Polo, Argo e HB20.

Para conter a crise, a montadora anunciou a introdução de uma nova correia reforçada na linha 2026, produzida pela Dayco, com materiais como Kevlar, teflon e fibra de vidro. Além disso, ampliou a garantia da peça para 240 mil km, sem limite de tempo, válida inclusive para veículos fabricados desde 2020. Proprietários também passaram a ter acesso a vistorias gratuitas em concessionárias, com troca de óleo e filtro por R$ 660 e substituição da correia por R$ 700, incluindo a peça nova.

O Chevrolet Onix 2026 estreia no Brasil com visual atualizado, mais tecnologia e redução no preço inicial, beneficiado pela isenção do IPI.
O Chevrolet Onix 2026 estreia no Brasil com visual atualizado, mais tecnologia e redução no preço inicial, beneficiado pela isenção do IPI.

O sistema de correia banhada a óleo foi introduzido pela Chevrolet em 2019 nos motores 1.0 e 1.2 da família CSS Prime, presentes em modelos como Onix, Onix Plus, Tracker e Montana. A tecnologia prometia unir a leveza e o silêncio das correias tradicionais à durabilidade das correntes metálicas, com vida útil de até 240 mil km. No entanto, sua manutenção exige uso de óleos específicos, como o Dexos 1 Gen 2, sob risco de ressecamento, desgaste precoce e entupimento de dutos de lubrificação.

Casos relatados por consumidores apontam custos de reparo entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, especialmente em veículos de locadoras, onde a manutenção nem sempre segue as especificações da GM. Ainda assim, a montadora insiste que a má manutenção é o principal fator de falhas. Testes independentes, como os da revista Quatro Rodas com um Onix Plus 2019, confirmaram que a peça pode superar 100 mil km sem problemas quando revisada em concessionárias.

A Chevrolet, por sua vez, acusa que o tema ganhou proporção atípica devido a comentários repetitivos em perfis com baixa credibilidade, muitas vezes sem foto, sem seguidores e com postagens em idiomas como uzbeque. Expressões idênticas como “seis por meia dúzia” apareceram em massa, o que levantou suspeitas de manipulação. Especialistas em crimes digitais afirmam que o uso de bots ainda não é regulado de forma clara no Brasil, podendo configurar falsidade ideológica.

Apesar das medidas da GM, a imagem do Onix sofreu no mercado. Após anos como líder absoluto, o modelo caiu para a quarta posição em vendas no acumulado de 2025, com 42.078 unidades emplacadas entre janeiro e julho, atrás de Volkswagen Polo, Fiat Argo e Hyundai HB20. A desconfiança é maior entre quem busca carros usados, devido ao alto custo de reparos em caso de falha, mas defensores do Onix seguem destacando a economia de combustível, design moderno e segurança com seis airbags de série.

O debate, porém, não se restringe à Chevrolet. A Ford já utilizou a mesma tecnologia em Ka e EcoSport, enquanto a Peugeot aplicou nos motores PureTech do 208, que exigiam trocas periódicas da correia. Na Europa, a Stellantis enfrentou processos relacionados a esse sistema e chegou a substituí-lo por correntes metálicas. No Brasil, a opção de algumas marcas por abandonar a solução reflete a pressão por maior confiabilidade e redução dos custos de manutenção.

Fonte: Chevrolet e QuatroRodas.

Alan Corrêa
Alan Corrêa
Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.