Os carros elétricos deixaram de ser raridade e começaram a disputar espaço real nas garagens brasileiras. Entre as novas apostas, o Geely EX2 surge como o tipo de novidade que chama atenção não pelo preço baixo, mas pela combinação de simplicidade, eficiência e promessa de confiabilidade — um pacote que tenta provar que a era dos elétricos populares finalmente chegou.
A marca chinesa volta ao Brasil em parceria com a Renault depois de quase dez anos longe do mercado. A retomada é ousada: em vez de seguir pelos híbridos, caminho comum entre as montadoras, a Geely chega direto com um modelo 100% elétrico, apostando em tecnologia própria e na experiência de quem lidera vendas na China. Lá, o EX2 é o carro elétrico mais emplacado do país em 2025, com mais de 300 mil unidades vendidas no primeiro semestre.
O hatch é compacto, mas não simplório. Mede 4,13 metros de comprimento, quase o mesmo que um SUV urbano como o VW T-Cross, e oferece entre-eixos de 2,65 metros. Essa proporção garante bom espaço interno e um porta-malas generoso de 375 litros, além de um segundo compartimento sob o capô, com 70 litros extras — detalhe prático que mostra como a engenharia elétrica permite soluções diferentes das de um carro a combustão.
Sob o piso, a bateria de 39,4 kWh usa células LFP (fosfato de ferro-lítio), conhecidas pela durabilidade e segurança. A autonomia de 289 km no ciclo do Inmetro cobre com folga a rotina urbana. Mais do que o número, chama atenção a eficiência: o sistema “11 em 1” integra componentes do trem de força em um único módulo, reduzindo peso e perdas elétricas. O motor, de 116 cv e 150 Nm, entrega aceleração linear e silenciosa. O 0 a 100 km/h é feito em 10,2 segundos — desempenho honesto, mas o suficiente para deixar para trás a lentidão de antigos elétricos compactos.
O carregamento também mostra maturidade. Na tomada residencial de 6,6 kW, a carga completa leva cerca de seis horas e meia. Em pontos rápidos de 70 kW, bastam pouco mais de 20 minutos para recuperar 50% da bateria. Essa agilidade coloca o EX2 em pé de igualdade com rivais mais caros, como o BYD Dolphin, que tem bateria um pouco maior e autonomia de 420 km, mas demora mais no carregamento convencional.
Por dentro, o EX2 segue o padrão dos novos elétricos chineses: design limpo, acabamento em dois tons e comandos concentrados em uma grande tela central. O painel digital é simples, mas funcional, e o sistema multimídia tem conectividade completa. A lista de equipamentos inclui seis airbags, controle de estabilidade, câmera de 540°, sensores 360° e assistente de partida em rampa. É um conjunto que rivaliza diretamente com o Dolphin e supera o GWM Ora 03 em itens de série.
O que o consumidor brasileiro ainda precisa entender é que o EX2 não é um experimento. O carro é fruto de um projeto global, fabricado em larga escala e apoiado por uma estrutura de pós-venda que nasce da aliança com a Renault. Isso significa logística, peças e manutenção garantidas — pontos que costumam gerar desconfiança quando o assunto são marcas recém-chegadas.
A previsão é que o preço fique entre R$ 150 mil e R$ 160 mil, faixa onde a disputa é intensa. O BYD Dolphin domina hoje, mas o EX2 tenta se diferenciar pelo conjunto mais leve, pela recarga mais rápida e pela sensação de carro urbano moderno, sem exageros tecnológicos. Para quem usa o carro no cotidiano, isso faz diferença: menos tempo no carregador, mais espaço interno e custo por quilômetro rodado competitivo.
No fim das contas, o Geely EX2 chega como um teste de confiança. Ele não promete reinventar o elétrico, mas traz o que o consumidor mais quer: praticidade, tecnologia bem aplicada e preço racional. Se entregar o que promete, pode ser o modelo que finalmente transforma o elétrico em um carro de verdade para o dia a dia — não mais um luxo de vitrine, mas um passo firme na nova era da mobilidade.
Fonte: Motorshow, CNN e AutoEsporte.