Ele entra como versão de acesso, mas não como carro “pelado”. A proposta é clara, ser o hatch compacto que resolve a vida na cidade, encara estrada sem drama e não transforma manutenção em pesadelo financeiro. É o tipo de carro pensado para quem depende do automóvel todo dia, vai ao trabalho, busca filho na escola, pega trânsito pesado, enfrenta asfalto ruim e ainda precisa de previsibilidade de gasto no fim do mês.
O motor é o conhecido 1.0 aspirado Kappa, de três cilindros, com até 80 cv no etanol e 10,2 kgfm de torque. Não é carro para arrancadas empolgantes, o 0 a 100 km/h em 14,5 s deixa isso claro, mas no uso urbano ele se mostra dócil, silencioso em baixa e fácil de conduzir. A resposta não assusta, mas também não decepciona quem sabe que está ao volante de um 1.0 de entrada. Na estrada, mantém 161 km/h de máxima e trabalha melhor em ritmo de cruzeiro do que em retomadas rápidas com o carro cheio.
O consumo do HB20 Comfort 2026 acompanha essa proposta, revela a ficha técnica do HB20 Comfort 1.0 2026. Com etanol, roda perto de 9,9 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada. Na gasolina, chega a 15,4 km/l em rodovia, garantindo autonomias que passam de 700 km com o tanque de 50 litros. Para quem roda muito, isso significa menos paradas e menos tempo em posto.
Em segurança, o HB20 Comfort surpreende para um modelo de entrada. São 6 airbags, controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e ISOFIX. No Latin NCAP, o conjunto rendeu 3 estrelas, com 68% de proteção para adultos e 75% para crianças, números corretos, ainda que abaixo dos melhores da classe. Não é referência absoluta, mas oferece um pacote que transmite sensação real de proteção no dia a dia.
A tecnologia embarcada também ajuda no apelo. Central multimídia com espelhamento sem fio, volante multifuncional, computador de bordo e serviços conectados via aplicativo colocam o HB20 em sintonia com o que o comprador espera hoje, mesmo no segmento de entrada.
As críticas mais comuns aparecem no pós-venda e em detalhes de rodagem. Há relatos de ruídos de suspensão, falhas pontuais de multimídia e reclamações sobre atendimento em concessionárias, refletidas em registros no Reclame Aqui, onde a Hyundai mantém reputação boa, mas com volume considerável de ocorrências. Nada que configure um defeito crônico grave, mas o suficiente para lembrar que carro popular também exige atenção.
Entre donos e sites especializados, a avaliação é equilibrada. Elogiam a economia, o pacote de segurança, a facilidade de revenda e a confiabilidade do conjunto mecânico. Apontam como pontos fracos o desempenho apenas correto, o isolamento acústico mediano e o custo do seguro.
O HB20 Comfort 2026 é um carro que entra fácil na lista de desejos, mas não pode entrar no seu orçamento por impulso. Quando a decisão é financeira, o que importa não é só o preço na vitrine, e sim o custo do dinheiro no financiamento, os fixos anuais e a velocidade com que o valor do carro escorre no mercado.
O ponto de partida é o preço público sugerido da própria Hyundai para o HB20 Comfort 1.0 manual ano/modelo 2025/2026: R$ 95.190, válido para todo o Brasil. Esse número é o que faz sentido usar como referência de compra, porque é o valor divulgado pela marca e serve de régua para comparar com qualquer desconto de concessionária.
No crédito, eu separo dois referenciais diferentes para a decisão: uma condição de financiamento publicada pela Hyundai e a taxa média de juros do mercado medida pelo Banco Central. O primeiro mostra o que aparece quando a oferta é curta e com entrada alta; o segundo mostra o custo do dinheiro quando a compra vira financiamento “de verdade”, com prazo mais longo.
Depois de comprar, a despesa que mais pega na rotina é a que você paga mesmo se rodar pouco: IPVA, seguro e revisões. Aqui, eu uso referências publicadas com nome e sobrenome, porque custo fixo sem fonte vira chute.
No IPVA, há um valor já estimado para o HB20 Comfort MT 2026 na tabela de mercado divulgada pela Mobiauto. No seguro, o caminho mais honesto é assumir que cada perfil gera um preço, e usar como régua uma base que explicita que o número vem de cotações reais, não de “média inventada”.
Quando você junta os fixos, a sensação muda: o HB20 deixa de ser “um carro de R$ 95 mil” e vira uma assinatura anual. Para não misturar alhos com bugalhos, eu apresento dois modelos analíticos, ambos amarrados em fontes: um para quem roda 10.000 km por ano e outro para quem roda 20.000 km por ano, usando o custo de revisões publicado para o HB20 1.0.
O objetivo aqui é decisão, não promessa comercial. Os números abaixo são uma fotografia do que o orçamento precisa aguentar com base em IPVA publicado, seguro baseado em cotações e revisões com valores divulgados, sem incluir combustível, estacionamento e pedágios, que dependem do seu uso e da sua cidade.
Revenda é onde o carro devolve parte do que você colocou nele, e onde muita compra ruim se revela. Para o HB20 Comfort 2026, a referência objetiva de mercado é a FIPE publicada para a versão 1.0 Comfort manual, que aparece em R$ 81.351, e isso já é um dado importante porque mostra o valor de tabela do carro usado, não o preço “de anúncio”.
Em liquidez, o HB20 costuma ter mercado porque aparece alto tanto na conversa de usados quanto na lista de hatches mais emplacados. Em relatório de usados do AutoArremate, o Onix aparece no topo e o HB20 surge logo atrás; no emplacamento de hatches, Polo e Argo puxam o volume e HB20 e Onix vêm na sequência, o que ajuda a explicar por que esses quatro tendem a ter saída mais fácil do que modelos fora do radar.