Um protótipo do Mercedes-Benz EQS chamou a atenção ao percorrer 1.205 quilômetros sem necessidade de recarga, estabelecendo um marco para os veículos elétricos. O sedã, equipado com bateria de estado sólido, manteve ainda 137 quilômetros de autonomia residual ao final do trajeto, evidenciando o salto tecnológico em relação às atuais baterias de íon-lítio.
A viagem ocorreu entre Stuttgart, na Alemanha, e Malmö, na Suécia, percorrendo as rodovias A7 e E20. O itinerário foi cuidadosamente planejado pelo sistema de navegação Electric Intelligence, que levou em consideração topografia, temperatura ambiente, fluxo de tráfego e consumo do ar-condicionado. O resultado foi uma demonstração prática da viabilidade das baterias sólidas em cenários reais de longa distância.
O desenvolvimento da bateria foi realizado em parceria com o High Performance Powertrains, centro tecnológico da Mercedes ligado à Fórmula 1. As células utilizadas são da americana Factorial Energy e baseadas na tecnologia FEST, que combina lítio-metálico com eletrólito quase sólido. O objetivo é garantir maior densidade energética, redução de peso e níveis superiores de segurança.
Na comparação com as baterias convencionais NMC, a novidade pode oferecer até 50% mais densidade energética. Enquanto a versão padrão do EQS armazena 118 kWh líquidos, a configuração sólida chega a cerca de 148 kWh, sem aumentar dimensões ou comprometer o espaço interno do veículo. Essa evolução amplia a autonomia sem a necessidade de recorrer a baterias maiores e mais pesadas.
O desempenho obtido indica que a tecnologia pode transformar a experiência de dirigir um carro elétrico, tornando a recarga menos frequente e mais conveniente. Ainda que a Mercedes não tenha divulgado dados sobre tempo de carregamento, a expectativa é que os avanços na velocidade de recarga acompanhem a evolução da capacidade de armazenamento.
Segundo Markus Schäfer, diretor de desenvolvimento da marca, a meta é trazer soluções como essa à produção em série até o fim da década. A estratégia da Mercedes é introduzir a tecnologia primeiro em modelos de maior valor agregado, para depois expandi-la a versões mais acessíveis, como ocorre historicamente em inovações do setor automotivo.
Embora o caminho até a comercialização em larga escala ainda dependa de testes adicionais e validação de segurança, o protótipo reforça a posição da Mercedes-Benz na disputa pela liderança da mobilidade elétrica. Com autonomia estendida e ganho em eficiência, a marca alemã sinaliza que os próximos anos poderão redefinir a competitividade entre elétricos no mercado global.
Fonte: Garagem360 e UOL.