Em janeiro de 2025, a BYD mostrou ao mundo um carro elétrico capaz de saltar buracos e obstáculos usando a própria suspensão, como se tivesse pernas. Nove meses depois de completar um ano dessa demonstração, em 15 de outubro de 2026, a Tesla apresentou uma resposta ainda mais ousada: um Roadster equipado com propulsores que permitem sair do chão, realizar movimentos no ar e acelerar de 0 a 96,6 km/h em apenas 0,81 segundo.
A apresentação aconteceu nas instalações de testes da SpaceX, em McGregor, no Texas, onde Elon Musk revelou uma nova configuração do esportivo anunciado originalmente em 2017. O modelo passou quase nove anos sem chegar à produção, acumulou adiamentos e agora reaparece com carroceria redesenhada e equipamentos desenvolvidos a partir de tecnologias utilizadas no setor aeroespacial.
O momento mais impressionante ocorreu quando um Roadster branco subiu por uma estrutura curva, ficou de cabeça para baixo e permaneceu preso à superfície antes de executar uma manobra aérea. Em outra demonstração, o veículo saltou sobre automóveis da própria Tesla, incluindo Cybertruck, Cybercab e Model Y, utilizando propulsores para controlar seus movimentos.

Diferentemente de um carro que simplesmente passa por uma lombada e perde contato com o asfalto, o Roadster apresentado utiliza gás comprimido liberado por propulsores para produzir força adicional. O sistema trabalha em conjunto com ventoinhas de alta potência e equipamentos de controle, permitindo manobras preparadas que não dependem exclusivamente do movimento das rodas ou da suspensão.
A tecnologia tem ligação com a SpaceX, empresa aeroespacial também comandada por Elon Musk. A proposta é utilizar recursos de propulsão para produzir movimentos que um automóvel convencional não conseguiria realizar apenas com motor, pneus e amortecedores. Isso não significa, porém, que o Roadster seja capaz de voar como um avião ou realizar viagens pelo ar.

A comparação com a BYD começou em 6 de janeiro de 2025, quando a fabricante chinesa divulgou uma demonstração do Yangwang U9, seu superesportivo elétrico equipado com suspensão ativa DiSus-X. Sem motorista a bordo, o carro percorreu uma pista a aproximadamente 120 km/h e saltou sobre obstáculos, incluindo um buraco de 2,5 metros de extensão, alcançando mais de seis metros de distância durante um dos movimentos.
O funcionamento do Yangwang U9 é diferente. Sua suspensão consegue controlar individualmente os movimentos das rodas e produzir uma elevação rápida da carroceria, fazendo o veículo saltar. A força necessária vem do próprio conjunto de suspensão, enquanto o Tesla utiliza propulsores para criar movimentos adicionais e executar manobras aéreas mais elaboradas.

A disputa também chegou aos números de desempenho. Durante a apresentação de outubro de 2026, a Tesla divulgou uma aceleração de 0 a 60 milhas por hora em 0,81 segundo. A marca equivale à passagem de 0 a aproximadamente 96,6 km/h e não deve ser confundida com a medição brasileira de 0 a 100 km/h. O resultado ainda depende de confirmação independente em um automóvel definitivo de produção.
A fabricante americana anunciou velocidade máxima superior a 370 km/h e autonomia acima de 480 quilômetros por carga, dependendo da configuração. Os valores representam especificações divulgadas pela Tesla e ainda não constituem dados homologados de um Roadster disponível comercialmente.
O projeto foi dividido em diferentes configurações. A Performance representa a proposta de superesportivo elétrico de alto desempenho, enquanto a Thrust acrescenta propulsores de gás comprimido. A Rocket utiliza uma configuração ainda mais especializada, com equipamentos destinados às manobras aéreas e alterações na disposição interna para acomodar os sistemas de propulsão.
Apesar do espetáculo, existe uma diferença importante entre os dois fabricantes. O Yangwang U9 começou a ser entregue na China em agosto de 2024 e já era um automóvel comercializado quando apareceu saltando obstáculos em janeiro de 2025. O novo Tesla Roadster continua sendo um protótipo, sem unidades de produção disponíveis ao consumidor.

Elon Musk estabeleceu 2028 como nova previsão para o início da fabricação, depois de sucessivos adiamentos desde o anúncio original da segunda geração, em 2017. A Tesla também não apresentou uma homologação que permita utilizar os sistemas de voo em vias públicas, o que mantém essas capacidades restritas às condições controladas das demonstrações.

O resultado é uma disputa curiosa entre duas fabricantes de carros elétricos. A BYD colocou um superesportivo à venda e depois mostrou que sua suspensão era capaz de fazê-lo saltar. A Tesla apresentou um protótipo que vai além dos saltos, utiliza tecnologia aeroespacial e promete acelerar em menos de um segundo, mas ainda precisa colocá-lo em produção.

Entre o BYD que dá “pulinhos” e o Tesla que realiza manobras no ar, a diferença já não está apenas na altura que cada carro consegue alcançar, mas também em qual dessas tecnologias poderá chegar às ruas. Você ficou mais impressionado com os saltos do Yangwang U9 ou com o Roadster que sai do chão usando propulsores?
Com informações da Carnewschina e Tesla.


