O novo Tesla Roadster promete acelerar de 0 a 96 km/h em apenas 0,81 segundo, mas quem reservou o esportivo elétrico desde sua primeira apresentação, em 2017, ainda terá de esperar pelo menos até 2028 para receber o veículo, um intervalo de onze anos entre a apresentação inicial do projeto e a previsão atual de entrega.
A demora ganhou importância com a apresentação de uma nova configuração do Roadster, em outubro de 2026, porque a Tesla não apenas adiou novamente a produção como também modificou profundamente o automóvel que havia mostrado aos primeiros interessados, incluindo mudanças no desenho e a utilização de tecnologias desenvolvidas com a SpaceX.
O esportivo abandonou as formas arredondadas do protótipo original e adotou uma carroceria de linhas retas, semelhante à da Cybertruck, mas a transformação mais importante está escondida sob o veículo, onde ventoinhas e propulsores de gás pressurizado trabalham para produzir níveis de aceleração que os pneus, sozinhos, dificilmente conseguiriam proporcionar.
O sistema utiliza dez propulsores de gás frio e ventoinhas capazes de gerar uma força descendente equivalente a até duas vezes a gravidade, mesmo com o carro parado, permitindo que o Roadster produza aderência antes de começar a se movimentar.
Essa tecnologia também permite realizar manobras aéreas de curta duração, incluindo saltos e rotações controladas, embora o veículo não tenha capacidade de manter um voo contínuo como uma aeronave.
Mas a aceleração extrema depende de um recurso que ainda levanta dúvidas sobre sua utilização fora das demonstrações, pois os reservatórios de gás pressurizado têm capacidade limitada e precisam ser recarregados depois de determinados usos.
O Roadster convencional utiliza um reservatório de 200 litros, enquanto a configuração Rocket acrescenta outros 400 litros e elimina o banco do passageiro para acomodar o equipamento, uma diferença que transforma a escolha da versão em algo muito mais importante do que simplesmente pagar por mais desempenho.
Há também uma questão de tempo, já que Lars Moravy, vice-presidente de engenharia da Tesla, explicou que o abastecimento com nitrogênio de alta pressão pode demorar de duas a seis horas, embora a empresa pretenda reduzir esse procedimento para aproximadamente 30 minutos antes do lançamento.
A linha terá três versões, Performance, Thrust e Rocket, com depósitos de reserva de US$ 50 mil para a primeira e US$ 250 mil para a segunda, enquanto a configuração mais extrema será oferecida apenas mediante convite, sem preço anunciado publicamente.
A possibilidade de realizar saltos e manobras aéreas também não significa que o proprietário poderá utilizar livremente essas funções nas ruas, pois existem restrições de segurança e exigências legais ainda não resolvidas para esse tipo de operação.
Outro ponto importante para os interessados está nas especificações que continuam sem confirmação definitiva, especialmente os dados de bateria e potência, enquanto a Tesla ainda precisa demonstrar como as tecnologias apresentadas funcionarão no veículo efetivamente entregue aos consumidores.
O novo Roadster mostrou que a Tesla consegue construir um protótipo capaz de executar manobras incomuns e atingir acelerações extremas, mas a experiência de seus futuros proprietários dependerá de uma etapa que permanece pendente desde 2017: transformar as demonstrações em um automóvel de produção, com preço definitivo, características homologadas e data de entrega cumprida.
Com informações da Tesla.