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Tesla perde espaço na Europa após apoio de Musk a Trump, enquanto BYD dispara

Vendas da Tesla caem mais de 50% na Alemanha e Reino Unido após apoio de Elon Musk a Trump. BYD quintuplica desempenho e conquista espaço na Europa.

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As vendas da Tesla desabaram nos dois maiores mercados automotivos da Europa em julho, refletindo uma mudança drástica no comportamento dos consumidores. No Reino Unido, a queda foi de 60%, e na Alemanha, de 55%, segundo dados oficiais. Ao mesmo tempo, a fabricante chinesa BYD registrou crescimento explosivo nesses países, multiplicando suas vendas por quatro ou cinco vezes, dependendo do mercado.

Pontos Principais:

  • Vendas da Tesla caem mais de 50% na Alemanha e Reino Unido.
  • BYD quintuplica desempenho e avança no mercado europeu.
  • Imagem de Elon Musk sofre desgaste após apoio a Trump.
  • Pesquisa mostra queda de fidelidade à Tesla nos EUA.
  • Reação negativa à politização da marca impacta resultados.

Esse cenário evidencia a deterioração da imagem da Tesla no continente europeu, impulsionada por fatores que ultrapassam o desempenho dos veículos. O apoio público de Elon Musk à reeleição de Donald Trump e sua entrada no governo republicano como chefe do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental provocaram forte repulsa em uma parcela expressiva dos consumidores europeus, tradicionalmente mais críticos a movimentos autoritários e cortes de políticas públicas.

A Tesla sofreu uma queda de 60% nas vendas no Reino Unido em julho, sinalizando uma crise de imagem com raízes na política e no comportamento de seu CEO.

O impacto da politização foi direto. Mesmo com a reformulação do Model Y, a Tesla não conseguiu segurar a demanda. No conjunto dos dez principais mercados da marca na Europa — que representam mais de 80% das vendas regionais — o declínio acumulado foi de 45%. No mesmo período, a BYD atingiu 1.126 unidades vendidas na Alemanha e 3.184 no Reino Unido, números inéditos para a montadora asiática nesses países.

A BYD, com o SUV elétrico Seal U entre seus destaques, tem aproveitado a rejeição à Tesla e ocupado espaços deixados pela concorrente. Além de preços competitivos, o avanço da marca chinesa se beneficia da neutralidade política de sua imagem e de um portfólio voltado para mercados em transição energética. Na Grã-Bretanha, as vendas da BYD cresceram mais de 300% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nos Estados Unidos, a fidelidade à Tesla também recuou bruscamente. Segundo pesquisa da S&P Global Mobility, o índice de lealdade dos clientes caiu de 73%, em junho de 2024, para 49,9% em março deste ano — mês em que Musk consolidou sua atuação no governo Trump. O empresário deixou o cargo em maio, após sucessivos desgastes e queda acentuada na reputação de sua marca.

O episódio escancara como decisões corporativas atreladas a posicionamentos políticos podem impactar diretamente resultados financeiros em escala global. A reação na Europa, onde as agendas climáticas e sociais têm maior peso, é um exemplo da fragilidade das marcas diante de movimentos considerados radicais por parte de seus líderes.

Sem uma recuperação de imagem consistente, a Tesla enfrenta um desafio que vai além da engenharia e do mercado automotivo. Resta saber se o nome de Elon Musk continuará sendo um trunfo ou se passará a ser um obstáculo permanente para a marca nos mercados internacionais.

Fonte: Oglobo e Atarde.

Jornalista automotivo (MTB: 0075964/SP) e analista de mercado. Especialista em traduzir a engenharia de lançamentos e monitorar a desvalorização de usados. No Carro.Blog.br, assina testes técnicos e guias de compra com foco em durabilidade e custo-benefício.

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