Toyota bZ4X enfim fica interessante o bastante para vir ao Brasil
O Toyota bZ4X renasce na Europa tentando provar que a marca mais conservadora do planeta finalmente entendeu que elétrico não precisa parecer uma lição de moral sobre o futuro. Aqui, pelo menos, há sinais de vida. O SUV recebeu mudanças aerodinâmicas que cortaram o arrasto de 0,29 para 0,27, uma diferença pequena, mas suficiente para mostrar que a Toyota aprendeu que furar o vento é mais útil do que fazer discursos sobre sustentabilidade.
Pontos Principais:
- Aerodinâmica revisada reduz arrasto de 0,29 para 0,27.
- Interior ganha tela de 14” e console rebaixado em 10 cm.
- Novas baterias chegam a 73,1 kWh, com autonomia de até 569 km.
- Versão 4×4 entrega 343 cv, a dianteira faz 0 a 100 km/h em 7,4 s.

O resultado visual é uma carroceria cheia de ângulos, ainda com aquela frente de “cabeça de martelo”, mas agora mais limpa. Nada disso importa se o carro não for bom de usar. E, surpreendentemente, ele é. O entre-eixos de 2,85 m empurra o interior para um patamar que humilha muito SUV familiar. Até o passageiro do meio, aquele sempre sacrificado, consegue sentar sem posar de contorcionista. O porta-malas de 452 litros decepciona, porém, quando se olha para rivais como Mustang Mach-E e VW ID.4, que oferecem mais espaço para as compras e para todos os arrependimentos que você decidiu carregar junto.
Interior e ergonomia

O interior, por sua vez, parece uma discussão entre engenheiros. A nova tela de 14” finalmente dá a sensação de modernidade, enquanto o console rebaixado em 10 cm abre espaço onde antes só havia uma sensação de claustrofobia. E então alguém decidiu que o carro não precisa de porta-luvas, algo tão básico que até um Fusca tinha. O uso de plásticos duros segue firme, como se o orçamento tivesse acabado antes de chegarem às portas.
Desempenho e conjunto elétrico

A parte elétrica é onde a Toyota decidiu brincar sério. O bZ4X agora conta com inversores de carboneto de silício, o que promete menos perdas e mais eficiência. Há baterias de 57,7 kWh ou 73,1 kWh e motores que chegam a 343 cv de potência máxima na versão 4×4. A configuração dianteira de 224 cv faz o SUV acelerar de 0 a 100 km/h em 7,4 s e bater nos 160 km/h. Não é exatamente empolgante, mas não faz feio diante de outros elétricos que parecem ter medo de acelerar.
O comportamento na prática mostra uma suspensão confortável, que absorve buracos e ainda deixa claro que a Toyota não tinha intenção de criar um esportivo. Em curvas, a carroceria inclina mais do que deveria, como alguém tentando fazer ioga pela primeira vez. A direção com volante pequeno, no entanto, dá uma sensação mais viva ao carro, enquanto o sistema de regeneração finalmente oferece quatro níveis ajustáveis, algo que deveria estar presente desde o início.
Carregamento, tecnologia e segurança

Na recarga, o avanço é real. As versões intermediárias e superiores agora aceitam 22 kW em AC, reduzindo o tempo de 10% a 100% para 3,5 horas. Em DC, continua nos 150 kW, chegando de 20% a 80% em meia hora. Bom o suficiente, embora já existam elétricos que fazem isso parecer pré-histórico.
O SUV também monitora se você está olhando para a estrada, o que é útil, principalmente porque dirigir elétricos em silêncio absoluto às vezes dá vontade de cochilar. O modo X, emprestado da Subaru, ajusta tração e torque para terrenos difíceis e permite até desligar controles eletrônicos, o que torna o bZ4X surpreendentemente divertido na lama, algo que a Toyota provavelmente não queria que você descobrisse.
Possível chegada ao Brasil e posicionamento

E tudo isso pode desembarcar no Brasil, agora que a marca abriu as portas para elétricos com o Lexus RZ 500e. Se vier, o bZ4X enfrenta Mach-E, ID.4 e BYD Yuan Plus, todos mais ousados em algum aspecto. O Toyota ainda parece preso entre duas eras, quer ser inovador sem parecer que está tentando demais.


































