A Toyota enfrenta uma das maiores crises de sua história no Brasil após a destruição da unidade de motores em Porto Feliz, no interior de São Paulo. A tempestade registrada no dia 21 de setembro trouxe ventos de até 90 km/h que arrancaram telhas arremessadas a seis quilômetros de distância e derrubaram estruturas pesadas sobre equipamentos de alta precisão. O impacto foi tão grande que o sindicato classificou a situação como “perda total”.
A fábrica de Porto Feliz, inaugurada em 2016, era responsável pela produção dos motores 2.0 flex que equipam o Corolla e o Corolla Cross, além de ter sido designada para produzir o conjunto híbrido 1.5 flex do inédito Yaris Cross. Com a destruição da planta, a montadora precisará de um processo de reconstrução praticamente do zero, o que coloca em risco o abastecimento de concessionárias no Brasil e o cronograma de exportações para os Estados Unidos e América Latina.
O sindicato dos metalúrgicos de Sorocaba destacou que a Toyota dificilmente retomará as atividades ainda em 2025, já que o fornecimento de motores foi interrompido. As linhas de montagem em Sorocaba e Indaiatuba, que produzem respectivamente o Corolla Cross e o Corolla sedã, tendem a ficar paradas por meses, impactando diretamente a disponibilidade de veículos no mercado nacional.
O impacto sobre os trabalhadores também foi discutido em reunião com a montadora. Os 4,6 mil empregados das unidades de Porto Feliz e Sorocaba terão inicialmente desconto em banco de horas, seguidos por férias coletivas de 20 dias e posterior entrada em layoff. O período de suspensão pode se estender de dois a cinco meses, com salários preservados quase integralmente. Funcionários que recebem até R$ 4.500 terão remuneração integral, enquanto os demais contarão com reposição entre 80% e 90%. Convênios médicos e participação nos lucros foram assegurados.
O adiamento do lançamento do Yaris Cross, previsto para outubro, já é um reflexo imediato do desastre. O SUV, que teria papel estratégico ao inaugurar o sistema híbrido flex 1.5, foi oficialmente reprogramado sem nova data definida. Sem motores, a Toyota não consegue sustentar a produção de modelos atuais, tampouco iniciar a fabricação de novos produtos.
Os efeitos da paralisação são de escala global, já que a fábrica de Porto Feliz exportava componentes para diferentes países. As cadeias de fornecimento da empresa sofrerão com rupturas significativas, ampliando os danos além do mercado brasileiro. A Toyota afirmou em comunicado que prepara um relatório de danos e agradeceu o apoio recebido de parceiros, sindicatos, concessionários, fornecedores e da sociedade civil, mas não estabeleceu prazo para a retomada.
O episódio expõe a vulnerabilidade da indústria automotiva diante de eventos climáticos extremos e a dependência das fábricas locais para sustentar a operação da marca. A Toyota, que sempre destacou a eficiência de suas linhas brasileiras, agora terá de enfrentar meses de incerteza, com consumidores aguardando reposição de modelos já consagrados e ansiosos pelo lançamento de novos produtos.
Fonte: Oglobo, Estadao e Smetal.