A Toyota prepara uma das retomadas mais delicadas de sua história recente no Brasil. Após um temporal devastar a fábrica de motores de Porto Feliz (SP), a montadora anunciou que voltará a produzir veículos em Sorocaba e Indaiatuba a partir de 3 de novembro, utilizando motores importados de outras unidades globais.
A medida, confirmada em carta assinada pelo presidente da Toyota do Brasil, Evandro Luiz Maggio, busca restabelecer o fluxo industrial interrompido no final de setembro. As linhas do Corolla, em Indaiatuba, e do Corolla Cross, em Sorocaba, estavam paralisadas desde o desastre climático que afetou a unidade de Porto Feliz — responsável por cerca de 108 mil motores por ano.
Para contornar os prejuízos, a empresa decidiu recorrer ao fornecimento de propulsores vindos de outras plantas internacionais, o que permitirá reativar gradualmente a produção. A operação será limitada e escalonada até janeiro de 2026, quando a fabricação nacional dos motores deve ser normalizada. A Toyota estima que o volume produtivo volte ao ritmo habitual em fevereiro.
Enquanto isso, a fábrica de Porto Feliz segue sem previsão de retomada. A extensão dos danos estruturais é ampla, e as equipes técnicas ainda avaliam as condições de maquinário e infraestrutura. Parte dos equipamentos poderá ser transferida para outras localidades temporariamente, numa tentativa de reduzir o impacto no cronograma global de produção da marca.
Os trabalhadores de Porto Feliz entrarão em regime de lay-off, enquanto as demais unidades paulistas encerrarão as férias coletivas em 21 de outubro. A decisão reflete a estratégia da Toyota em preservar empregos e ajustar a operação até a recuperação plena da base produtiva nacional.
Além do desafio industrial, há também uma questão técnica relevante. Os motores importados precisarão se adaptar às especificações brasileiras, especialmente ao uso do etanol. A marca afirma que as versões híbridas e flex continuarão sendo produzidas normalmente, sem prejuízo ao desempenho, mas especialistas apontam que ajustes finos em calibração e injeção serão indispensáveis.
O impacto da tragédia também repercutiu no planejamento de novos produtos. O aguardado Yaris Cross, que seria lançado neste semestre, teve sua estreia adiada. A Toyota afirma que o projeto segue em preparação, mas ainda sem uma nova data definida. O atraso ilustra o efeito dominó que um único evento climático pode gerar sobre uma cadeia industrial complexa.
Fonte: Agenciabrasil, Toyotacomunica e Msn.