Avaliação do Volkswagen Tera arranca elogios: bom de curva, mas falta banco que abrace; mas nem tudo é perfeito na opinião do dono
O lançamento do Volkswagen Tera marcou uma nova etapa na estratégia da marca para o mercado brasileiro. Desenvolvido localmente, o SUV compacto foi projetado em São Bernardo do Campo para ocupar o espaço de modelos emblemáticos, como o Gol, que encerraram ciclos importantes dentro da linha da fabricante. O Tera chega com a missão de disputar protagonismo em um segmento cada vez mais competitivo, enfrentando diretamente modelos como Renault Kardian, Fiat Pulse e Citroën Basalt.
Pontos Principais:
- Volkswagen Tera é desenvolvido no Brasil para substituir o Gol e rivalizar com Pulse e Kardian.
- Modelo surpreende pela dirigibilidade, silêncio interno e central multimídia veloz.
- Interior moderno com acabamento simples e espaço traseiro limitado para adultos altos.
- Versão High custa R$ 139.990 e tem equipamentos de segurança de destaque, como ACC e seis airbags.
A proposta do modelo é clara: entregar um conjunto visual alinhado aos SUVs mais modernos da marca no exterior, trazer soluções práticas para o uso urbano e oferecer um custo inicial abaixo dos principais rivais. A Volkswagen apostou em uma carroceria que tenta parecer maior do que realmente é, utilizando a base do Polo, mas com ajustes estéticos para ampliar a percepção de robustez. Esse artifício de design, embora não altere sua essência mecânica, cumpre um papel importante na hora de atrair o olhar do consumidor em busca de um modelo atual.

Durante os dias de avaliação, o Tera revelou um conjunto bem acertado para quem procura um veículo urbano com bom comportamento dinâmico. Mesmo com motor 1.0 turbo de 116 cavalos e torque de 16,8 kgfm, o desempenho foi suficiente para situações do dia a dia, especialmente em trajetos urbanos. A sensação ao volante é que ele foi pensado para atender a um público que prioriza o uso racional, sem abrir mão de conforto mínimo e algumas conveniências tecnológicas.
Interior e conectividade

O ambiente interno do Tera é uma mescla de simplicidade funcional com elementos que tentam criar uma atmosfera tecnológica. A central multimídia teve bom desempenho com conexão por cabo, sem apresentar os tradicionais atrasos no carregamento de aplicativos como o Waze. A interface é rápida, estável e se destaca frente a sistemas de outras marcas testados recentemente. O painel digital está presente, o que ajuda na percepção de modernidade esperada por quem busca um SUV atual.
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A ergonomia do console central também foi bem resolvida. Há espaço para deixar a chave, o celular com carregamento por indução e ainda outro aparelho conectado à porta USB-C. Ainda assim, nem tudo agrada. O puxador de porta dianteiro incorpora também os comandos dos vidros, o que gerou incômodo durante o uso. A decisão de reunir tudo no mesmo ponto parece ter sido tomada com foco em economia, mas comprometeu a experiência.
Os bancos dianteiros, por sua vez, dividem opiniões. A ausência de apoio lombar e o desenho afundado dessa região causaram desconforto em viagens mais longas. O apoio de braço do motorista também apresentou problemas de posicionamento, principalmente pela proximidade com o freio de mão e o encaixe do cinto de segurança, obrigando o motorista a abrir mão do apoio em diversos momentos.
Espaço interno e usabilidade

Apesar da proposta de SUV, o Tera repete a limitação típica do segmento em relação ao espaço traseiro. Um passageiro com mais de 1,78 metro de altura terá dificuldades para viajar com conforto no banco traseiro. A inclinação do teto reduz o espaço para a cabeça, e a convivência entre dois adultos de estatura elevada – um dirigindo e outro no banco de trás – se torna inviável sem concessões.
Ainda no banco traseiro, a presença de luzes de leitura foi um detalhe útil. Por outro lado, a falta de acabamento em certas áreas das portas traseiras provocou estranheza. Uma parte metálica sem cobertura plástica deixou a sensação de que algo ficou incompleto. O tipo de detalhe que, uma vez percebido, não sai mais da cabeça – literalmente.
O porta-copos e porta-objetos ao lado do freio de mão também poderiam ser mais bem resolvidos. As divisórias simples cumprem a função, mas o acabamento não contribui para uma boa impressão. No ar-condicionado, o sistema com comandos por toque responde bem, ainda que não seja o mais intuitivo em movimento, principalmente para quem prefere botões físicos.
Comportamento dinâmico e segurança

Ao volante, o Volkswagen Tera entrega uma experiência que se destaca pela ausência de ruídos internos. Mesmo em pisos irregulares, a suspensão trabalha de forma silenciosa, sem barulhos vindos dos painéis ou das portas. O conjunto mecânico com câmbio automático de seis marchas entrega trocas suaves e atua com eficiência em retomadas e deslocamentos urbanos.
A suspensão manteve o padrão tradicional da Volkswagen, mas com ajustes perceptíveis no conforto. A dirigibilidade permanece firme, com respostas previsíveis, mas o acerto mais macio agradou quem valoriza um rodar mais suave, sem abrir mão da estabilidade em curvas. Para um SUV urbano, o resultado é equilibrado.
No quesito segurança, o Tera traz um pacote robusto nas versões mais equipadas. Itens como seis airbags, controle de estabilidade e tração, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, alerta de saída de faixa e controle de cruzeiro adaptativo garantem boa proteção ativa. O diferencial é o uso de freio a disco nas quatro rodas, um recurso que não é comum na faixa de preço em que o Tera atua.
Consumo, preço e percepção de valor

O consumo registrado durante os testes ficou em 9,5 km/l com gasolina. Embora o número esteja abaixo de alguns concorrentes em situações ideais, é importante destacar que o modelo testado estava com apenas 1.400 km rodados. Há potencial de melhora conforme o uso se consolida. Modelos como Pulse Hybrid e Kardian Premiere chegaram a marcar médias de 9,4 e 11,1 km/l, respectivamente, mas com quilometragem bem superior.
O preço do Tera no lançamento se mostrou competitivo. A versão High, mais equipada, parte de R$ 139.990. A comparação direta com rivais mostra vantagem: o Fiat Pulse Impetus custa R$ 146.990, enquanto o Renault Kardian Premiere chega a R$ 145.990. A Volkswagen, portanto, acerta em oferecer um modelo com valor inicial abaixo do que o mercado esperava.
A combinação entre nome forte no mercado, preço inicial agressivo e pacote funcional tem potencial de transformar o Tera em um dos modelos mais vendidos do segmento. Resta acompanhar se os preços vão se manter ou se a marca aplicará reajustes graduais nas próximas semanas – algo que, como o histórico mostra, raramente deixa de acontecer.
Conclusão

O Tera representa uma tentativa clara da Volkswagen em ocupar o espaço deixado pelo Gol com um produto que se encaixa no momento atual do consumidor brasileiro. Ao unir conectividade, segurança e um comportamento dinâmico elogiável, o modelo tenta se firmar como escolha racional em um mercado onde a oferta é grande, mas nem sempre convincente.
Ainda que tenha limitações de espaço interno e detalhes ergonômicos questionáveis, o SUV cumpre a proposta de entregar um conjunto honesto pelo valor cobrado, especialmente em sua fase inicial de vendas. O sucesso dependerá da aceitação do público e da manutenção da estratégia de preço.
O que se viu até aqui foi uma leitura bem brasileira de um SUV compacto feito para disputar cada metro de vitrine nas concessionárias, com a leve impressão de que, no fim das contas, o Gol saiu de cena, mas sua missão continua firme.
Fonte: Vwnews.


































