O Volkswagen T-Cross, um dos SUVs compactos mais vendidos do Brasil, perdeu duas estrelas em sua nova avaliação de segurança no Euro NCAP, a principal autoridade europeia em testes de colisão. O modelo, que em 2019 havia alcançado cinco estrelas, agora registra apenas três, resultado considerado preocupante diante das novas exigências técnicas aplicadas a partir de 2025.
O rebaixamento foi consequência direta da atualização dos protocolos do Euro NCAP, que passaram a adotar critérios mais rigorosos para avaliar a eficácia dos sistemas de assistência à condução e a proteção de ocupantes e pedestres. O T-Cross, produzido na Europa e também no Brasil, não conseguiu acompanhar o ritmo dessas evoluções, exibindo desempenho irregular nos principais quesitos analisados.
A proteção para adultos atingiu 74%, um índice considerado baixo diante do novo padrão europeu, enquanto a segurança infantil obteve 81%, evitando um resultado ainda mais desfavorável. Já na categoria de usuários vulneráveis das vias, que inclui pedestres e ciclistas, o SUV registrou apenas 60%, revelando deficiências em detecção e mitigação de impactos.
Nos sistemas de assistência ao motorista, o desempenho foi ainda mais preocupante: apenas 57%. O relatório do Euro NCAP apontou que o sistema de frenagem autônoma de emergência do T-Cross teve atuação “marginal”, sendo eficaz em alguns cenários, mas incapaz de evitar colisões em outros. Além disso, o veículo carece de dispositivos considerados básicos pelos padrões atuais, como alerta de fadiga do motorista e prevenção de abertura de portas em presença de ciclistas.
Essas lacunas contrastam com a boa reputação de segurança que o T-Cross conquistou em mercados emergentes. O modelo fabricado no Brasil recebeu cinco estrelas no Latin NCAP em 2019, quando o protocolo local ainda era menos rigoroso. Desde então, a entidade latino-americana também revisou suas metodologias, aproximando-se dos critérios europeus e prometendo novas atualizações em 2026.
O cenário evidencia um ponto crítico: enquanto os consumidores europeus já são expostos a exigências de segurança mais complexas, muitos veículos vendidos na América Latina seguem padrões de teste defasados. Essa discrepância reforça o alerta sobre a necessidade de atualização dos sistemas de segurança ativa e passiva em modelos globais produzidos também no Brasil.
Mesmo com o resultado negativo, o T-Cross continua relevante no mercado nacional, sustentado por seu conjunto mecânico eficiente e pela força da marca Volkswagen. No entanto, o desempenho no Euro NCAP reacende o debate sobre a diferença de rigor entre os protocolos de avaliação e pressiona a fabricante a modernizar seus sistemas de assistência para não perder competitividade em mercados mais exigentes.
Fonte: Euroncap.