Chevrolet Monza ainda é adorado

É muito difícil de se imaginar veículos caros entre os mais vendidos do país nos dias atuais, imagine então em tempos passados. Para conseguir isso, o veículo deve aliar modernidade, desempenho e confiabilidade tanto do mesmo quanto da montadora, e ambas estas características a Chevrolet conseguiu atribuir ao Monza.

História
4 meses atrás
Chevrolet Monza ainda é adorado

Para se ter uma ideia, o impacto que o Monza teve no mercado automobilístico da época seria similar a caso o Cruze, mesmo custando praticamente o dobro do preço, ultrapassasse o Onix em vendas. Os 14 anos de produção do Monza foram marcantes para a Chevrolet, tanto que existem até os dias atuais apaixonados neste sedan médio que marcou uma geração.

História do Monza

O Monza começou a ser produzido em Abril de 1982 após se tornar um projeto global da Chevrolet. Com a autonomia dos veículos começando a ser considerada pelas montadoras, a ideia era poder oferecer um veículo que fosse luxuoso, potente e que tivesse um consumo de combustível melhor do que os outros modelos.

A ideia inicial era do veículo se chamar Ascona, seguindo o mesmo nome do modelo da Opel, mas o nome não foi bem aceito pelos clientes e decidiram mudar o nome do veículo para Monza, que remete a esportividade e ao circuito de automobilismo localizado na Itália.

Opel Ascona (foto: Automodeller / wikimedia)
Opel Ascona (foto: Automodeller / wikimedia)

O modelo estreou em duas versões: uma básica e a mais luxuosa SL/E, ambos equipados com um motor 1.6 e câmbio manual de 4 velocidades. Ocorreu que o veículo foi duramente criticado pelo seu motor 1.6 fraco, fazendo a Chevrolet lançar ao final do mesmo ano uma motorização 1.8 que rendia 86 cv, o suficiente para melhorar seu status.

Em 1983, ganhou a versão sedan de 2 e 4 portas, sendo a versão que não contava com as portas traseiras a mais vendida de toda a linha. A motorização continuava a mesma e, com a opção de sedan, o Monza veio a receber o prêmio de veículo do ano pela Revista Autoesporte.

Chevrolet Monza
Chevrolet Monza

Mas os tempos de ouro do Monza vieram a partir de 1984, com o modelo já consolidado no mercado. Tiveram também as séries especiais Clodovil (feita pelo estilista Clodovil Hernandes em 1984) e o modelo conversível, que durou de 1984 até 1986, justamente o período em que o Monza dominou o mercado brasileiro e desbancou seu “irmão” Chevette e o Ford Escort para se tornar o carro mais vendido do Brasil por três anos seguidos.

Em 1987, foi lançada a versão Classic, que introduzia um motor 1.8 de 95 cv e um novíssimo 2.0 de 99 cv, além do motor de dois litros movido apenas a álcool que rendis cerca de 110 cv. Durante os anos de 1987 e 1988, o Monza perdeu o posto de carro mais vendido do país, mas sempre figurava entre os primeiros da lista, além de vencer novamente o prêmio de Carro do Ano nos respectivos anos.

Chevrolet Monza (foto: Mariordo - Mario Roberto Durán Ortiz / wikimedia)
Chevrolet Monza (foto: Mariordo – Mario Roberto Durán Ortiz / wikimedia)

O ano de 1989 foi marcante para o automobilismo brasileiro justamente pela conquista das 500 milhas de Indianápolis por Emerson Fittipaldi. Com essa conquista, a Chevrolet lançou uma nova versão do Monza chamada 500 EF, homenageando o piloto. Mas não apenas esta homenagem foi marcante, mas também pelo motor 2.0 com injeção eletrônica de 116 cv que inaugurou a era desta tecnologia no cenário brasileiro.

Em 1991, o Monza passou por uma reestilização que não agradou muito os fãs do carro, fazendo com que o mesmo ganhasse linhas parecidas com as do Omega. Seus motores também foram atualizados para 1.8 de 98 cv e os 2.0 de 110 cv e 116 cv, posteriormente chegando outro motor de dois litros com 121 cv em 1992.

Facelift do Monza (foto: order_242 / wikimedia)
Facelift do Monza (foto: order_242 / wikimedia)

Chevrolet Monza 1.8 GLS 1996 (foto: order_242 / wikimedia)
Chevrolet Monza 1.8 GLS 1996 (foto: order_242 / wikimedia)

Quando o então presidente do Brasil Fernando Collor de Mello decidiu abrir as importações, chegaram outros veículos como o próprio Omega e o Vectra, veículo que sucedeu ao Ascona na Europa. Tanto o Monza quanto o Vectra conviveram pacificamente de 1993 até 1996, ano em que o Monza já tinha perdido todo seu glamour e as vendas já não eram mais iguais antigamente, fazendo assim o fim do icônico veículo que conseguiu ser o mais vendido do país com um preço elevado.

Por que ainda é tão amado?

Um veículo que vendeu mais de 850 mil unidades em 14 anos, foi eleito Carro do Ano três vezes e liderou por três anos seguidos o ranking de vendas do mercado brasileiro não merece cair no ostracismo apenas pela chegada dos modelos importados, e realmente não caiu!

Uma legião de fãs do Monza se formou pelo Brasil, fãs estes que adoram as linhas do veículo, seu conforto, potência e sofisticação que fazem do veículo um excelente custo-benefício nos dias atuais.

Além disso, as diversas séries especiais como a Barcelona, Conversível e o luxuoso Clodovil fizeram do Monza ainda mais desejado por conta destes modelos exclusivos, que fazem os colecionadores batalharem pelos mesmos até os dias atuais com frequência.

O Monza sem dúvidas é um veículo que marcou uma época no Brasil. Por mais que tenha sido morto nas linhas de produção pelos modelos importados da Chevrolet, ele permanece cada dia mais vivo no cotidiano dos fãs que este veículo conquistou e continua conquistando dia após dia.

Curiosidades

Chevrolet Monza 1.8 (foto; Mr.choppers / wikimedia)
Chevrolet Monza 1.8 (foto; Mr.choppers / wikimedia)

  • O Hatch foi lançado com câmbio automático e motorização 1.8 entre 1985-1988.
  • O modelo esportivo S/R com o motor 1.8 tinha 106cv, contra 85cv dos 1.8 convencionais e 99cv do 2.0.
  • O esportivo S/R, era disponível o câmbio automático, somente na versão importada da Venezuela, no ano de 1989. Neste ano vieram importadas para o Brasil, 234 unidades do Monza nas versões SL, Classic e S/R, a maioria com câmbio automático, bancos em couro e ar-condicionado de série. Todos à Gasolina. Das 226 unidades, apenas 26 eram equipadas com injeção eletrônica e câmbio manual de 5 marchas. O Conjunto Motor e Câmbio eram Brasileiros, mas a estamparia era montado e pintado em CKD na Venezuela, assim como todas as partes de acabamentos internos, que a maioria eram em bancos de couro. O Rádio Toca-fitas eram da Marca Clarion. Uma peculiaridade dos Monzas Venezuelanos é que não saíam com vidro térmico traseiro. Todos possuíam um jogo de rodas em Liga-Leve com desenho exclusivo e Aro 14 ou com Rodas aro 13 e calotas plásticas.
  • O Monza S/R fabricado no Brasil, era abastecido pelo combustível vegetal, tornando-o um esportivo com um temperamento mais apimentado.
  • O S/R Automático não foi lançado no Brasil.
  • O Classic SE foi lançado na versão saia e blusa (2 cores).
  • Apesar da Volkswagen ter sido pioneira nestas duas tecnologias, a General Motors assim como nos motores flexíveis (Década de 2000), foi a primeira a oferecer injeção eletrônica de série nos seus modelos. Já que eram opcionais nos modelos na fabricante alemã.
  • A partir de 1991, a injeção eletrônica monoponto digital era item de série no Monza, enquanto os seus concorrentes exigiam pagamento extra por este equipamento. No Tempra, este equipamento passou a ser de série em 1993. No Santana e no Versailles, já que estes compartilhavam o motor VW AP, este equipamento se tornou de série em 1995, até então estes modelos teve inúmeras injeções diferentes, sendo multiponto e monoponto, além de inúmeros modelos de carburador.
  • Nos concorrentes do Monza e Kadett, fabricados na década de 90, como Santana, Tempra, Versailles, Gol, Escort, Prêmio, Logus, Pointer, Verona e Apollo, a injeção eletrônica era um equipamento opcional e custava cerca de R$2000,00 a mais.
  • Apesar de disponível no modelo Hi-Tech, o painel digital foi disponível anteriormente no Monza Classic SE, lançado entre 1991-1993.
  • Entre 1991 e 1993, a injeção multiponto, a qual alguns consideravam analógica mas que apenas não tinha o conector ALDL, Bosch Le-Jetronic MPFI, utilizada no Kadett GSi, era disponível como item opcional no Monza. Esta rendia 116cv, sendo este o mais potente de todos os Monzas.
  • O Monza foi o primeiro modelo abastecido a álcool a contar com a injeção eletrônica, rendendo 116cv. Isto fazia com que seu desempenho se aproximasse ao de um hatch e não de um sedan médio. Este motor também foi usado em 1996, no Kadett Sport.
  • Chegou a ser cogitado, que o modelo sairia de linha em 1993, já que havia chegado o Vectra de 1ª geração, como o novo modelo não fez sucesso algum, o Monza ficou em linha por mais 3 anos.
  • Apesar do seu concorrente da VW, o Santana ter sido fabricado por mais tempo, 22 anos ante 14 anos do Monza, o modelo da GM vendeu cerca de 200.000 unidades a mais que o carro da VW.
  • O Monza nunca possuiu catalisador, equipamento disponível a partir de 1992 e que seu “primo” mais velho, o Chevette, teve em suas últimas unidades. Como não houve Monza 1997, nunca foi obrigatório, já que o equipamento passou a ser disponível a partir daquele ano.
  • Bastante diferente dos modelos fabricados atualmente, o Monza recebia elogios pelo seu acabamento interior que era oferecido em diversas cores.
  • Foi o primeiro carro no Brasil, a ter um clube online. Isto prova, o quão querido este modelo era.
  • Em 1997, a General Motors ainda dispunha em suas concessionárias de Monzas 0 km. É possível achar o modelo 1997, em paises como Argentina, Uruguai e Chile.
  • No Seriado A Grande Família, o personagem Lineu Silva possuiu 2 Monzas: Monza SE 2.0 1989 ( 2001 – 2006 ) e Monza GLS 2.0 1996 ( 2007 – 2008 ) ambos considerados modelos Top de Linha. O Primeiro Monza foi destruído no Filme ” A Grande Família O Filme ” em 2007.

Versões

Monza SR Hatch (foto Eigenes Werk / wikimedia)
Monza SR Hatch (foto Eigenes Werk / wikimedia)

  • L (1982-1984) – Disponível apenas para o MONZA HATCH 1.6.
  • SL (1984-1993) – Motorização 1.8 e 1.8 EFI. O acabamento era simples, se achar algum destes com Travas e Vidros Elétricos, comemore.
  • SL/E (1984-1993) – Versão intermediária, fabricada até 1993. Tinha um requinte maior. O estofamento tinha várias opções de escolha, sendo elas vinho, dourado, azul acinzentado, listrado preto e branco. O painel era diferenciado da versão básica.
  • S/R (1986-1989) – Versão esportiva, com motorização 1.8 e 2.0. Ambas tinham a relação de câmbio mais curta, o carro ganhava 10s nas retomadas, em relação à versão SL/E. Era equipado com bancos esportivos Recaro®, o Painel tinha fundo vermelho e era disponível nas cores Vermelho, Preto, Branco e Prata. Em certos modelos, era disponível o teto solar, mas algo muito raro, já que não era um equipamento que equipava o Monza. Em 1988, ganhou as lanternas traseiras do Monza Classic SE.
  • Classic (1986-1987). Era disponível com motorização 1.8 e 2.0. Trazia ar condicionado de série. Tinha a opção saia e blusa, disponível nas cores (Dourado & Cinza).
  • Classic SE (1988-1994) – Modelo mais luxuoso do Chevrolet Monza. Trazia de série na geração antiga: Ar Condicionado, Retrovisores, Vidros, Travas, Porta Malas Elétricos, Regulagem de altura do banco e do volante. Todos eram 4 portas e a lanterna traseira era diferenciada. Na versão antiga, as cores diferenciadas eram (Azul & Cinza, Verde & Cinza, Cinza & Preto). Quando o Monza foi remodelado, a versão Classic permaneceu quase até o seu fim, foi tirada, com o lançamento do Vectra. O automóvel contava com painel digital, algo muito à frente de seus concorrentes e dispunha de motorização MPFI.
  • GL (1994-1996) – Substituiu a versão SL em 1994, porém pouco mais equipado que a versão anterior. Dispunha de Direção Hidraúlica, Travas e Vidros Elétricos de série. Disponível nas motorizações 1.8 e 2.0 (EFI). As rodas eram aro 13’, tendo duas opções de escolha. O painel era diferenciado da versão básica. As últimas unidades do Monza foram lançadas nesta versão e foi compartilhado com esse modelo os bancos do Corsa 1996, com um acabamento inferior ao do Monza GL 1994 e 1995, o volante do Vectra e o painel com conta-giros do Kadett GLS.
  • GLS (1994-1996) – A versão era como a SL/E, porém trazia faróis de neblina, pára-choques da cor do carro, lanternas traseiras fume, rodas de liga leve (Em 1996, a mesma do Kadett GSi) dando um requinte maior ao acabamento externo. O volante até 1995, era o de quatro raios, sendo substituído pelo volante do Vectra em 1996.

Um lote de 226 veículos Monza foram importados da Venezuela em 1989, somente nas séries SLClassic SE e S/R, todos com motorização 2.0, porém dos 226, apenas 26 era equipados com injeção eletrônica multi-ponto Bosch. Dos restantes, apenas 20 eram com câmbio manual, todo o lote possuíam ar-condicionado de série, e boa parte com revestimento em couro, denominados alguns como “Exclusive”.

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